Santos Silva promete presidência do parlamento imparcial, contida e aglutinadora
29 de mar. de 2022, 17:29
— Lusa/AO online
No
seu discurso após a eleição, o sucessor de Ferro Rodrigues no cargo de
presidente da Assembleia da República, eleito com 156 votos num total de
230 deputados votantes, agradeceu a confiança que lhe foi depositada
para o exercício do segundo lugar da hierarquia do Estado Português.Perante
os deputados, o ex-ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
prometeu exercer as suas funções de forma “imparcial, contida e
aglutinadora”.“Será
preservada a individualidade de cada deputado e de cada deputada,
respeitada a independência e a agenda de todos os grupos parlamentares,
defendido o papel e a imagem do parlamento e garantido a todos as
melhores condições para o exercício pleno e produtivo dos respetivos
mandatos, seja no plenário, nas comissões ou grupos de trabalho, ou,
ainda, no indispensável contacto direito e permanente com os eleitores”,
acentuou.Depois,
Augusto Santos Silva referiu-se aos outros órgãos de soberania,
Presidência da República e Governo, dizendo que o parlamento
“prosseguirá” com eles “uma relação de harmonia e respeito mútuo no
escrupuloso respeito dos preceitos constitucionais”.Nesta
parte da sua intervenção, depois de um rasgado elogio ao seu antecessor
no cargo, Eduardo Ferro Rodrigues, referiu-se significado político
resultante do facto de ter sido eleito deputado por um dos círculos da
emigração, o Fora da Europa.“Muito
mais relevante do ponto de vista político e simbólico é o facto de hoje
ser o dia inaugural da ocupação desta cadeira se fazer por um deputado
eleito por um círculo da emigração. Assim, a representação parlamentar
dos 2,3 milhões de portadores de cartão de cidadão português residentes
no estrangeiro e dos mais dos cinco milhões que se estimam de seus
descendentes atinge toda a sua plenitude”, sustentou.Na
parte final da sua intervenção, Augusto Santos Silva referiu que, na
legislatura que agoira se inicia, serão comemorados os 50 anos do 25 de
Abril de 1974, mas também já este ano o bicentenário da primeira
Constituição.“Todos
estes passos da História democrática serão devidamente assinalados no
parlamento”, disse, referindo-se depois aos tempos difíceis atuais “da
guerra da Rússia contra a Ucrânia”.De
acordo com o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, esta guerra, “se
interpela as nossas consciências, também impõe a reafirmação do
posicionamento geopolítico” de Portugal e a “elaboração de políticas
públicas que acautelem a economia, o emprego e a coesão social”.“Temos
elevadas responsabilidades como membros das Nações Unidas, da União
Europeia e da Aliança Atlântica. Saúdo em particular as Forças Armadas,
agora chamadas a novas tarefas que, se necessário, desempenharão com a
dedicação e proficiência com que têm pautado a sua atuação em missões de
paz” no exterior, observou.