Santos Silva defende diálogo “franco, leal e honesto” com Hungria
23 de jul. de 2020, 17:20
— Lusa/AO Online
Augusto
Santos Silva recebeu em Lisboa o homólogo húngaro, Péter
Szijjártó, para uma reunião de trabalho consagrada às relações
bilaterais e temas da agenda europeia e internacional.Na
conferência de imprensa conjunta que ambos deram após o encontro,
Santos Silva foi questionado sobre a razão que leva o Governo português a
“estreitar relações” com um país onde, segundo múltiplas organizações
internacionais, o Estado de Direito e a liberdade de imprensa estão em
risco.O ministro respondeu que “Portugal e
a Hungria são aliados na NATO e membros da União Europeia”, “têm
relações bilaterais intensas há muito tempo” e que a circunstância de os
respetivos governos terem “posições diferentes e às vezes opostas em
certos domínios” torna “ainda mais importante” que os ministros dos
Negócios Estrangeiros dos dois países “se encontrem e debatam entre si
de forma franca, leal e honesta”.A questão
não foi dirigida a Péter Szijjártó, mas o ministro húngaro fez questão
de responder para “rejeitar as afirmações falsas relativas ao estado da
democracia húngara e das liberdades” como “ataques politicamente
motivados que carecem de qualquer base”.“Tivemos
de lutar pela nossa liberdade e não aceitamos lições de países que
herdaram a democracia”, disse Szijjártó, sem especificar.Na
intervenção inicial que fez, Augusto Santos Silva afirmou que as
relações bilaterais entre os dois países “têm uma longa história” e
falou de “uma troca de impressões muito útil sobre "temas muito
importantes da presidência portuguesa da UE como o Estado de Direito, as
migrações e a política europeia de asilo ou a estratégia conjunta
Europa-África”.O ministro português disse
que a cooperação com a Hungria “tem crescido” nos últimos anos na
vertente económica e cultural, apontando que o país é membro associado
da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e que os dois países
“têm colaborado bem” na cooperação com África.Péter
Szijjártó, também na intervenção inicial, referiu-se igualmente às
diferenças de perspetiva dos dois países, destacando como “todos estão
conscientes da posição anti-migratória do Governo húngaro” e como
Budapeste sabe “perfeitamente quer a política portuguesa é bem
diferente”, mas assegurando que as relações “gerem-se no respeito
mútuo”.Tal como Santos Silva, o ministro húngaro destacou como ponto em comum o trabalho na estratégia da UE para África.“Temos
projetos de desenvolvimento para África, para contribuir para melhorar a
vida da população africana e tornar possível que encontrem a chave para
o seu futuro no seu próprio continente”, referiu.Quanto
à cooperação económica com Portugal, Szijjártó falou de um fundo de
financiamento luso-húngaro no valor de 7 mil milhões de florins (cerca
de 20 milhões de euros) para apoiar empresas de média dimensão na área
da digitalização e num memorando, hoje assinado, sobre “atividades
espaciais para fins pacíficos”, referindo “colaboração no
desenvolvimento de tecnologias modernas de satélite, troca de dados de
satélite e desenvolvimento de robótica e telecomunicações”.