Santa Joana vai integrar o espólio baleeiro do Clube Naval de Ponta Delgada

10 de set. de 2025, 12:01 — Carlota Pimentel

O histórico bote baleeiro Santa Joana vai deixar o centro comercial Parque Atlântico, onde se encontra em exposição desde 2003. A embarcação, que pertence ao Museu Carlos Machado, será transferida no dia 16 de setembro para o Clube Naval de Ponta Delgada. Construído em 1952 pelo carpinteiro calafate João Basílio da Silva, a pedido da União das Armações Baleeiras de São Miguel, o Santa Joana operou durante anos na costa norte da ilha, com base em São Vicente Ferreira, Capelas. Movido a velas e remos, tinha capacidade para oito tripulantes. Em 1962, a tripulação chegou a capturar 39 cachalotes.Depois de ter sido adquirido pelo Museu Carlos Machado em 1998, foi colocado em exposição no Parque Atlântico aquando da inauguração do centro comercial, em outubro de 2003.Agora, a embarcação vai integrar a Casa dos Botes, um núcleo museológico, localizado na sede do Clube Naval de Ponta Delgada (CNPDL), que resulta da parceria entre a Futurismo e o CNPDL.Ao Açoriano Oriental, o presidente do CNPDL, Carlos Carreiro, realçou que foi “a cereja no topo do bolo o Museu Carlos Machado confiar em nós e trazer uma embarcação que andou no mar, na caça à baleia, para a podermos expor e, através dela, trazer à memória dos micaelenses e do povo em geral o nosso património baleeiro”. O responsável elucidou que “como não pode navegar, o bote de Santa Joana ficará permanentemente em exposição na Casa do Bote”.Segundo o presidente do CNPDL, a Casa dos Botes terá sempre em exposição conjunta o Santa Joana e um bote do Grupo Central, para que os visitantes possam perceber as diferenças de construção entre ambos.“Numa vista geral e com um olhar menos atento, as pessoas vão pensar que os botes são iguais, mas na verdade são um pouco diferentes. O calado e o comprimento variam muito pouco, mas a grande diferença está na construção. Enquanto os do Grupo Central são de tabuada horizontal, os botes de São Miguel são de tabuada vertical. Depois existem ainda pequenas variações no manuseamento e na navegação. De resto, todos descendem praticamente da mesma embarcação americana, o bote baleeiro americano”, explanou. O dirigente acrescentou que a embarcação não será apenas colocada em exposição, mas fará parte de um espaço interpretativo dedicado à memória baleeira. Conforme referiu, a Casa dos Botes está a ser preparada para receber visitantes e vai mostrar a história do Santa Joana. Para isso, o CNPDL contará com o apoio do Museu Carlos Machado.“Ficará exposta na nossa Casa dos Botes, com toda a sua história plasmada nas paredes e no próprio espaço”, referiu.Para o presidente, trata-se da “união do passado e do presente a transmitir-nos o futuro, que será excelente para a memória coletiva”. Carlos Carreiro adiantou que o Clube Naval de Ponta Delgada desenvolve regularmente atividades com outros botes baleeiros, fruto da parceria estabelecida com a Futurismo. Estas embarcações, ao contrário do Santa Joana, continuam operacionais e são utilizadas em regatas, treinos e outras experiências no mar.“Temos tido uma atividade permanente com os botes que estão protocolados com a Futurismo. Duas ou três vezes por semana, vamos para o mar com os botes que podem ir permanentemente para a água”, disse.E prosseguiu: “Temos a parte das companhias de competição e temos também a escola, que não é regular. Sempre que alguém quer experimentar o bote, acompanhamos a pessoa no mar; se gostar, passa a frequentar as primeiras aulas e, depois, passa a ser nosso atleta”.O presidente explicou que haverá duas vertentes, a “de lazer, que pode ser praticada nos botes baleeiros, a remo e à vela” e a de competição.