Santa Clara e Casa Pia sobressaem, Boavista desilude
I Liga - balanço
19 de mai. de 2025, 10:00
— Lusa/AO Online
“Santa
Clara e Casa Pia destacam-se, porque fizeram as melhores épocas de
sempre e tiveram um percurso fantástico, consolidando o trabalho dos
anos anteriores. O Casa Pia esteve muito bem e o Santa Clara melhor
ainda, visto que vai à Europa”, particularizou à agência Lusa o
ex-técnico de Vizela, Estoril e Vitória de Guimarães no escalão
principal.Santa Clara, quinto, com 57
pontos, e Casa Pia, nono, com 45, foram os únicos a atingir novos
recordes de pontuação, tendo os açorianos acedido às pré-eliminatórias
da Liga Conferência, precisamente um ano depois de subirem à elite como
campeões da II Liga.No fundo da
classificação, o AVS, também promovido há um ano, terminou no 16.º
lugar, com 27 pontos, e tem a permanência pendente de um play-off com o
Vizela, terceiro do segundo escalão, enquanto o Farense, 17.º, com 27 e
desvantagem no confronto direto frente ao clube sediado na Vila das
Aves, e o Boavista, 18.º e último, com 24, desceram.“Falo
com tristeza do Boavista, do qual tenho um carinho grande, por ser um
histórico do futebol português, que foi campeão nacional [em 2000/01] e
faz falta. Desejo claramente que recupere o mais rápido e venha para o
patamar que merece e no qual tem de estar. Um clube com tanta história,
mística e cultura tem de estar na I Liga”, reconheceu Álvaro Pacheco,
que passou pelos ‘axadrezados’ de 2016 a 2017, como adjunto de Miguel
Leal.No plano das individualidades, o
treinador sublinha a influência do médio dinamarquês e capitão Morten
Hjulmand e de Viktor Gyökeres no 21.º título do Sporting, que festejou
em edições sucessivas pela primeira vez em 71 anos e contou com 39 golos
ponta de lança sueco, melhor marcador pela segunda época seguida, na
sequência dos 29 em 2023/24.“Já há muito
tempo que não via um futebolista tão influente numa equipa e que fizesse
a diferença de tal maneira. O Gyökeres fica certamente como um dos
melhores avançados da história do futebol português. É completamente
diferenciado e arrisco-me a dizer que será um dos melhores avançados do
mundo. Ele tem imenso potencial, consegue mexer de forma incrível num
jogo e é aquele atleta que qualquer treinador quer ter”, enquadrou.Álvaro
Pacheco, de 53 anos, encontrou Viktor Gyökeres por duas vezes na última
época, quando, como treinador do Vitória de Guimarães, intercalou uma
vitória caseira (3-2), na 13.ª jornada, com uma derrota em Alvalade
(3-0), selada com um ‘bis’ do sueco, na 30.ª.“Teve
um crescimento muito grande. É um jogador com exigência própria para
conseguir evoluir e tornar-se mais forte ano após ano, sendo que também
tem variabilidade no jogo e habilidade para entender os espaços curtos e
atacar a profundidade. Depois, quando a sua equipa sente dificuldades
em levar o jogo para o meio-campo contrário, mostra essa capacidade em
posse e, principalmente, sem a bola, devido à sua robustez, velocidade e
agressividade. Poucos têm essa capacidade”, frisou.Quanto
ao Benfica, segundo colocado, Álvaro Pacheco enalteceu a “ambição
transmitida em campo” pelo defesa central argentino e capitão Nicolás
Otamendi, que “manteve um elevado rendimento e até parece um jovem a
começar a sua carreira”, enquanto o lateral esquerdo espanhol Álvaro
Carreras cresceu em influência com uma “época de nível alto”.“No
FC Porto, o Rodrigo Mora está a aparecer, é um jovem com tremendo
talento e será alguém que os portugueses vão adorar ver, porque tem
magia nos pés. Já o Diogo Costa consolidou-se como capitão e um dos
melhores guarda-redes mundiais”, disse, elogiando ainda o avançado
Ricardo Horta e o médio uruguaio Rodrigo Zalazar, ambos do Sporting de
Braga, e o ponta de lança brasileiro Cassiano, que atua no Casa Pia e
coincidiu com o treinador no Vizela e no Estoril Praia, criando uma
“amizade muito boa, de pai para filho”.