Sánchez propõe limitar financiamento público de media para combater desinformação
17 de jul. de 2024, 11:47
— Lusa/AO Online
Sánchez
levou hoje ao parlamento espanhol as linhas gerais de um Plano de Ação
pela Democracia que disse ser, no fundamental, a transposição de
regulamentos e diretivas comunitárias enquadradas pelo Plano de Ação
para a Democracia Europeia apresentado por Bruxelas no final de 2020 e
pela Lei Europeia da Liberdade dos Meios de Comunicação Social aprovada
em março passado.O socialista realçou que
todos os eurodeputados do país, com exceção dos do partido de
extrema-direita Vox, votaram a favor da legislação europeia e desafiou
os partidos a fazerem o mesmo no parlamento nacional, prometendo uma
ronda de contactos com formações políticas, académicos ou representantes
de meios de comunicação social nas próximas semanas e meses para tentar
um consenso em relação a propostas concretas.A
oposição de direita, porém, acusou-o de estar apenas a fazer propostas
agora para desviar as atenções de suspeitas de corrupção e tráfico de
influências que envolvem a sua mulher, Begoña Goméz, que será ouvida em
tribunal esta semana, e de querer calar e censurar meios de comunicação
que denunciaram este caso e outros que envolvem mais pessoas próximas do
primeiro-ministro.Sánchez defendeu no
parlamento uma série de medidas com o objetivo, nas suas palavras, de
"responder à difusão massiva de mentiras e de desinformação" que afeta
as grandes democracias.As maioria das
medidas que defendeu pretendem dar mais transparência e independência
aos meios de comunicação social, assim como garantir a pluralidade da
imprensa e uma informação verídica e fidedigna aos cidadãos, afirmou,
sublinhando que o jornalismo é uma "ferramenta fundamental da construção
da democracia" e que são necessários media "robustos face à
proliferação de mentiras que tentam desestabilizar as democracias",
sobretudo, através de "pseudomeios digitais".Entre
as medidas que propôs está a limitação do financiamento público de
media privados, o que em Espanha se faz através de publicidade
institucional, de forma a evitar que haja títulos com "mais
financiadores públicos do que leitores e que partidos políticos comprem
linhas editoriais com o dinheiro de todos os contribuintes".Sánchez
defendeu ainda novas regras para dar mais transparência à informação
pública sobre os proprietários de meios de comunicação e as audiências.
Propôs também que sejam trabalhadas outras medidas para proteger a
independência editorial e os direitos dos jornalistas, que defendam o
pluralismo da imprensa e a concorrência e evitem a concentração em
poucos proprietários ou que protejam os consumidores das grandes
plataformas digitais.O primeiro-ministro
anunciou 100 milhões de euros de fundos europeus para apoios à
digitalização de meios de comunicação, com o fim de criarem bases de
dados, melhorarem a melhorar a produtividade ou reforçarem a
cibersegurança.Para além das medidas
relacionadas com os meios de comunicação, Sánchez propôs aos deputados,
dentro do mesmo Plano de Ação pela Democracia, a revisão de legislação
ligada á liberdade de expressão e de leis eleitorais, para tornar
obrigatórios debates nos media entre candidatos e estabelecer regras
sobre a publicação dos dados e metodologias que estão por trás de
sondagens.O líder do Governo espanhol
propôs, por outro lado, o reforço dos designados "direitos dos cidadãos à
honra e à retificação", afirmando que "os meios de comunicação social
devem ser livres e, por sua vez, os cidadãos devem poder defender-se se
forem alvo de calúnias ou acusações infundadas".O
presidente do Partido Popular (PP, direita), Alberto Núñez Feijóo,
acusou Sánchez de ter ido hoje ao parlamento movido não por qualquer
princípio democrático mas apenas com o objetivo de "evitar dar
explicações" sobre o caso que envolve a mulher e "tentar castigar por
lei" alguns meios de comunicação social."Deixe
de ameaçar com a censura e responda às dúvidas", disse Feijóo a
Sánchez, acusando o primeiro-ministro de querer "controlar o que se
publica" em vez de prestar esclarecimentos.Também
o líder do Vox, Santiago Abascal, acusou Sánchez de querer fazer aquilo
que foi hoje denunciar ao parlamento, ou seja, "comprar linhas
editoriais" e fazer "perseguição ideológica" a meios de comunicação.Sánchez
prometeu apresentar este plano para a "regeneração democrática" em
abril, depois de ter assumido que ponderava demitir-se, dizendo-se
vítima, ele próprio e a família, de uma "máquina de lodo" que dissemina
mentiras e desinformação na Internet que são depois levadas para o
debate político pela direita e pela extrema-direita e judicializadas com
queixas de associações extremistas.