Sánchez pede perdão por corrupção no PSOE mas afasta crise no Governo ou antecipar eleições
12 de jun. de 2025, 17:30
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa na sede do PSOE, em Madrid, Sánchez garantiu que
só hoje conheceu o relatório da investigação policial segundo o qual o
secretário de Organização do partido, Santos Cerdán, negociou comissões
de pelo menos 520 mil euros, pagas por empresas de construção, na
adjudicação de obras públicas.Pedro
Sánchez pediu "desculpa e perdão" a todos os espanhóis e, especialmente,
aos militantes e simpatizantes do PSOE, e anunciou uma "auditoria
externa" às contas do partido, apesar dos "relatórios positivos" do
Tribunal de Contas sobre a organização, para "eleminar qualquer sombra
de dúvida".O líder do PSOE anunciou ainda, para breve, uma reestruturação da direção do partido."Até
hoje de manhã estava convencido da integridade de Santos Cerdán", disse
o líder do PSOE, que reconheceu ter trabalhado de forma muito próxima
com o 'número três' do partido desde 2014 e estar hoje a sentir uma
"profunda tristeza" e uma "enorme deceção".Sánchez
sublinhou que até hoje não conhecia ou sabia "absolutamente nada" do
relatório da investigação policial que tem Santos Cerdán como alvo e
reconheceu que contem "indícios graves, muito graves" de corrupção.Santos
Cerdán, que garantiu estar inocente, demitiu-se já da direção do PSOE, a
pedido de Sánchez, e anunciou que vai também deixar o lugar de
deputado.Sánchez disse que este caso afeta
a direção do PSOE, mas não o Governo espanhol e garantiu que não há uma
"crise no governo", "em absoluto".O
primeiro-ministro rejeitou, como já fez no final da semana passada,
antecipar eleições e voltou a dizer que a legislatura chegará ao final,
até 2027.Sánchez disse ainda que pretende voltar a ser candidato a primeiro-ministro quando houver eleições legislativas em Espanha.Pedro
Sánchez, primeiro-ministro desde 2018, voltou a ser eleito para o cargo
pelo parlamento espanhol em novembro de 2023, por uma geringonça de
oito partidos. Desde que foi reinvestido
no cargo, pessoas próximas do primeiro-ministro, como a mulher ou o
irmão, e antigos membros do Governo e da direção PSOE, foram envolvidos
em processos judiciais por suspeitas de corrupção.O
líder do PSOE disse que com "respostas contundentes", como a desta
quinta-feira, faz a diferenciação entre "supostos casos e outros" que
têm "efetivamente indícios que os corroboram".O
Tribunal Supremo de Espanha anunciou, em comunicado, que na sequência
de um relatório de uma investigação policial a um antigo ministro dos
Transportes de Sánchez (José Luis Ábalos), a justiça concluiu haver
também "indícios consistentes" contra Santos Cerdán, por suspeita de
negociação de comissões na adjudicação de obras públicas.O
ex-ministro José Luis Ábalos e um antigo assessor Koldo García
começaram a ser investigados no ano passado pela suspeita de terem
cobrado comissões pela venda a organismos públicos de material
sanitário, incluindo máscaras, durante a pandemia da covid-19.A
investigação foi sendo alargada, à medida que foram recolhidas provas,
documentos e testemunhos pela unidade da Guarda Civil espanhola com
competências de investigação policial (conhecida como UCO).As
suspeitas contra Santos Cerdán resultaram de gravações de conversas
telefónicas apreendidas pela UCO entre o dirigente socialista e Koldo
Garcia e entre este e Ábalos. O relatório cita ainda mensagens escritas
entre Cerdán e García.Além da suspeita de
corrupção, com a negociação do pagamento de comissões por empresas de
construção pela adjudicação de obras públicas, o relatório policial
sugere que nas primárias do PSOE de 2014, que tornaram Pedro Sánchez
líder do partido, houve também manipulação de votos a favor do atual
secretário-geral.Sánchez realçou que o
relatório da UCO refere "dois votos" manipulados, em primárias em que
votaram mais de 100 mil militantes que venceu com mais de 17 mil votos
de vantagem, garantido a transparência e segurança do processo eleitoral
interno do PSOE.Ábalos foi ministro entre
2018 e 2021 e, perante as suspeitas de corrupção, foi expulso do PSOE
em 2024. Santos Cerdán era o 'número três' do PSOE desde 2017.Pedro
Sánchez chegou a líder do Governo por ter apresentado uma moção de
censura, em 2018, ao então governo de direita do Partido Popular (PP),
envolto em vários casos de corrupção."Tenho
muitos defeitos, mas sempre trabalhei pela política limpa e pelo jogo
limpo na política e sempre estive comprometido com a regeneração
democrática do país e com a luta contra a corrupção, desde o Governo e
desde o partido", afirmou, reiterando que, por isso, é uma "enorme
indignação e profunda tristeza" ver que "todo um projeto político em que
confiam milhões de pessoas" pode "ficar afetado" pelo comportamento de
algumas pessoas.