Sánchez pede a juiz para testemunhar por escrito em caso que envolve a mulher
24 de jul. de 2024, 11:11
— Lusa/AO Online
Pedro Sánchez foi
convocado na segunda-feira para ser ouvido na qualidade de testemunha no
próximo no dia 30 de julho de manhã no Palácio da Moncloa, a sede da
presidência do Governo de Espanha, local até onde se deslocará o juiz
que tem a instrução do caso, relacionado com suspeitas de tráfico de
influências e corrupção.No documento hoje
conhecido, Sánchez manifesta a "vontade, como não podia ser de outra
maneira", de colaborar com a justiça, "sempre no quadro do estrito
cumprimento da Constituição espanhola e da lei", e acrescenta que, neste
contexto, o seu testemunho deve ser feito por escrito e não de forma
presencial, como determinou o juiz.O
primeiro-ministro invoca a lei do processo penal espanhola, que prevê
que o chefe do Governo preste declarações perante um juiz por escrito em
casos relacionados com o exercício do cargo.Sánchez
manifesta assim vontade de testemunhar, depois de nos últimos dias essa
decisão do juiz ter sido contestada e objeto de recursos por parte do
Ministério Público e da defesa de Begoña Gómez, a esposa de Pedro
Sánchez.O juiz que tem a instrução deste
caso aceitou na segunda-feira o pedido para Sánchez ser ouvido
apresentado pelas designadas "acusações populares", que se constituíram
na sequência da abertura da investigação judicial e que são encabeçadas
pelo partido de extrema-direita Vox.Na
sexta-feira passada, Begoña Gómez invocou o seu direito ao silêncio e
não foi ouvida pelo juiz que tutela o caso, com a sua defesa a
justificar que não estão asseguradas "as garantias" previstas num Estado
de direito.O advogado de Begoña Gómez
considerou, em declarações a jornalistas, que o juiz de instrução do
caso não delimitou o objeto da investigação e realçou que dois
relatórios da equipa de investigação policial enviados ao juiz
concluíram que não existem indícios de irregularidades. A
investigação de que é alvo Begoña Gómez tem como base queixas de
associações ligadas à extrema-direita e centra-se, em particular, na sua
relação profissional com um empresário cujas empresas negociaram ajudas
públicas ou participaram em concursos públicos num período em que Pedro
Sánchez já era primeiro-ministro.Em linha
com as conclusões da investigação policial, o Ministério Público
considerou não haver fundamentos no caso e pediu o arquivamento.O
juiz de instrução, no entanto, considerou haver indícios suficientes
para continuar com a investigação e tem chamado diversas pessoas para
prestar declarações.Sánchez e o Partido
Socialista espanhol (PSOE), que lidera, têm reiterado não haver nada que
fundamente esta investigação judicial e que está em causa uma
perseguição política e pessoal ao chefe do Governo e à sua família.Juntamente
com a lei de amnistia para os independentistas catalães, este caso é há
várias semanas o principal alvo de ataque ao primeiro-ministro e foi
também o motivo que levou Sánchez a ponderar demitir-se no final de
abril.Afirmou-se vítima, com a família, de
uma "máquina de lodo" que difunde mentiras e desinformação na Internet
que são depois levadas para o debate político pela direita e pela
extrema-direita e judicializadas com queixas de associações extremistas.