Sánchez justifica afastamento de chefe da secreta espanhola por falha na segurança das telecomunicações
11 de mai. de 2022, 16:37
— Lusa/AO Online
A
titular da pasta da Defesa, Margarita Robles, na terça-feira, tinha
evitado discutir as razões para o afastamento da diretora do Centro
Nacional de Informação (CNI), Paz Esteban, mas no debate parlamentar que
decorreu esta quarta-feira Pedro Sánchez foi um pouco mais explícito.“Evidentemente que houve uma falha na segurança das comunicações" dos membros do executivo, reconheceu o governante.O
debate parlamentar centrou-se quase inteiramente no chamado
“caso Pegasus”, relacionado com alegados atos de espionagem que visaram
líderes independentistas catalães e também os telefones móveis de
membros do Governo, assim como na substituição da chefe do CNI.Atacado
pelas perguntas da oposição, Sánchez contra-atacou referindo-se ao
“caso Kitchen” de espionagem policial ordenada pelo Governo de direita
do Partido Popular (PP) ao seu ex-tesoureiro Luis Bárcenas e advertiu
que, agora, "os ladrões não estão no Governo"."Com
este Governo, nem os fundos públicos nem os serviços de informações
serão utilizados para encobrir atos criminosos ou para perseguir
opositores políticos fora da lei", afirmou o chefe do executivo,
dirigindo-se à líder parlamentar do PP, Cuca Gamarra, que o acusou de
governar para os independentistas.PP, Vox
(extrema-direita) e Cidadãos (direita liberal) criticaram o Governo por
fazer uma "política absolutamente degradante" com o afastamento da
diretora do CNI e por "caluniar" os serviços de informações.O
Governo espanhol decidiu na terça-feira afastar a chefe dos serviços
secretos, Paz Esteban, como consequência do “caso Pegasus”.A
responsável pelos serviços de informações espanhóis tinha sido chamada
na passada quinta-feira a uma comissão parlamentar para esclarecer os
contornos deste caso.Na ocasião, Paz
Esteban mostrou as autorizações judiciais que permitiram a monitorização
de cerca de vinte políticos pró-independência da região da Catalunha.O
movimento a favor da independência da Catalunha pedia há várias semanas
a demissão da ministra da Defesa que considera ser a principal
responsável pela alegada espionagem de dezenas dos seus líderes.O
“caso Pegasus” foi revelado por um relatório do grupo Citizen Lab,
relacionado com a Universidade de Toronto (Canadá), que indicava que
pelo menos 65 ativistas catalães foram espiados entre 2017 e 2020,
estando entre os visados o atual presidente regional catalão, Pere
Aragonés (que era vice-presidente da região na altura), os antigos
presidentes regionais Quim Torra e Artur Mas, assim como deputados
europeus, deputados regionais e membros de organizações cívicas
pró-independência.No início da semana
passada, o executivo espanhol também apresentou uma queixa no tribunal
Audiência Nacional por alegada espionagem dos telemóveis do
primeiro-ministro e da ministra da Defesa, apesar dos factos terem
ocorrido em 2021.