Sánchez insiste que caso contra a sua mulher é "fabulação" da oposição espanhola
31 de jul. de 2024, 12:54
— Lusa/AO Online
Pedro Sánchez disse
que o processo em que a mulher, Begoña Gomez, está a ser investigada por
suspeita de tráfico de influências e corrupção em negócios é "um não
caso" originado pela "frustração e impotência da oposição" de direita e
extrema-direita.Para o primeiro-ministro,
face aos que considera serem os atuais bons resultados da economia
espanhola ou à normalização da situação na Catalunha, após a tentativa
de autodeterminação de 2017, quando governava o Partido Popular (PP,
direita), a oposição perdeu argumentos, porque "Espanha está mais
próspera e mais unida"."O que há é um
governo que governa e uma oposição que fabula", afirmou Sánchez, que
falava no Palácio da Moncloa, a sede do Governo espanhol em Madrid,
durante uma conferência de imprensa convocada para fazer o balanço do
ano político antes das férias de verão.Sobre
a queixa por prevaricação que apresentou contra o juiz que tutela a
investigação que envolve a mulher, por o ter impedido de testemunhar por
escrito, Sánchez afirmou que o objetivo é reivindicar a separação de
poderes no Estado de direito.A queixa foi
apresentada em nome de Sánchez pela Advocacia Geral do Estado, um órgão
que, em Espanha, está integrado na estrutura do Governo e que noutros
países, como Portugal, está dentro das competências do Ministério
Público."O que a Advocacia Geral do Estado
fez foi defender a instituição da Presidência do Governo de Espanha
porque viu como foram atropelados direitos" reconhecidos à instituição,
disse Sánchez, referindo-se aos termos indicados na lei que preveem que o
primeiro-ministro testemunhe por escrito em casos relacionados com o
exercício do cargo.Na queixa que foi
apresentada, "defende-se a dignidade da instituição da Presidência do
Governo e reclama-se a separação de poderes", sublinhou.Sánchez
considerou também "uma montagem" a deslocação do juiz na terça-feira ao
Palácio da Moncloa, com a intenção de o interrogar e gravar as
declarações, negando-lhe o direito de testemunhar por escrito.O
magistrado, representantes do Ministério Público, advogados das defesas
e uma advogada do partido de extrema-direita Vox, em representação das
"acusações populares" que se constituíram neste caso, deslocaram-se na
terça-feira à Moncloa para recolher o testemunho de Sánchez, que acabou
por invocar o direito ao silêncio de testemunhas quando estão em causa
investigações relativas aos seus cônjuges.Sánchez
considerou hoje também "extremamente patético e vergonhoso" que várias
organizações de extrema-direita tenham estado à porta da Moncloa a
disputar qual delas deveria entrar na sede do Governo com o juiz e
lamentou a tentativa de judicialização da política e de politização da
justiça nos últimos anos em Espanha, desde que o Vox entrou no espaço
público.A investigação de que é alvo
Begoña Gómez tem como base queixas de associações ligadas à
extrema-direita e centra-se, em particular, na sua relação profissional
com um empresário cujas empresas negociaram ajudas públicas ou
participaram em concursos públicos num período em que Pedro Sánchez já
era primeiro-ministro.Em linha com as
conclusões de dois relatórios da investigação policial, o Ministério
Público considerou não haver indícios de irregularidades e fundamento
para o caso e pediu o arquivamento, não havendo ainda resposta a este
recurso.Pedro Sánchez e o Partido
Socialista espanhol (PSOE), que lidera, têm reiterado não haver nada que
fundamente esta investigação judicial e que está em causa uma
perseguição política e pessoal.Juntamente
com a lei de amnistia para os independentistas catalães, este caso é há
meses o principal alvo de ataque ao primeiro-ministro por parte da
oposição.Este caso foi também o motivo que
levou Sánchez a ponderar demitir-se no final de abril, afirmando-se
vítima, com a família, de uma "máquina de lodo" que difunde mentiras e
desinformação na Internet que são depois levadas para o debate político
pela direita e pela extrema-direita e judicializadas com queixas de
associações extremistas.