Sánchez apresenta pacote anticorrupção no parlamento para tentar salvar legislatura
8 de jul. de 2025, 17:04
— Lusa/AO Online
Sánchez levará "um
pacote de medidas importantes e contundentes" contra a corrupção, que
incluem as propostas e exigências que lhe têm feito nas últimas semanas
os partidos da geringonça que o reinvestiram primeiro-ministro em
novembro de 2023, disse hoje a ministra com a tutela da Educação e do
Desporto e porta-voz do Governo, Pilar Alegria, sem dar mais detalhes.O
líder do Governo vai na quarta-feira ao parlamento, a seu pedido, dar
explicações sobre as suspeitas de corrupção na cúpula do Partido
Socialista Operário Espanhol (PSOE) e no executivo, na sequência de uma
investigação policial que colocou em prisão preventiva o até há três
semanas “número três” dos socialistas, Santos Cerdán.No mesmo processo foi também constituído arguido outro ex-dirigente socialista e antigo ministro, José Luis Ábalos.O
caso Santos Cerdán, que veio a público no passado dia 12 de junho, com a
divulgação de um relatório policial, desencadeou uma das maiores crises
que já viveu Sánchez desde que é primeiro-ministro e é, segundo meios
de comunicação social, analistas e dirigentes políticos, a primeira que
verdadeiramente põe em risco a sua continuidade à frente do executivo do
PSOE.O próprio Pedro Sánchez reconheceu
no sábado que o Governo e o Partido Socialista espanhóis vivem "dias
difíceis", mas reiterou a intenção de prosseguir nos cargos e não se
demitir."Estou plenamente consciente de
que estão a ser dias difíceis para todos, sem dúvida alguma, para o
Governo de Espanha e para a militância do partido", disse Sánchez, no
arranque de uma reunião da comissão federal do PSOE, em Madrid, em que
ouviu um dos “pesos pesados” do partido, o presidente do governo
regional de Castela La Mancha, Emiliano García-Page, pedir-lhe para
submeter-se a uma moção de confiança ou para convocar já eleições (a
legislatura atual termina em 2027).Sánchez
afirmou estar "com o coração tocado", mas também com "a determinação
intacta e a mesma vontade" de enfrentar "a adversidade".O
primeiro-ministro de Espanha disse sentir a responsabilidade de
continuar à frente do Governo porque a alternativa é uma "coligação de
ultra direita" formada pelo Partido Popular (PP) e pelo Vox, que
governam ou já governaram juntos nos últimos dois anos em municípios e
governos regionais e levaram a cabo, realçou, cortes no estado social,
nos direitos e liberdades, assim como políticas negacionistas das
alterações climáticas.Sánchez realçou, por outro lado, o bom desempenho da economia espanhola nos últimos anos."Somos
conscientes de que a deceção é grande, mas a responsabilidade de
Espanha continuar a avançar é ainda maior", afirmou, depois de ter
pedido desculpas aos espanhóis e aos militantes socialistas por se ter
enganado e depositado confiança em pessoas "que não mereciam".Sánchez
reiterou que o PSOE, como organização, não é corrupto e prometeu
colaboração com a justiça em relação às suspeitas que envolvem os
ex-dirigentes do partido.Os partidos que
reelegeram Sánchez primeiro-ministro em novembro de 2023 - uma
geringonça de oito formações - não lhe retiraram, para já, o apoio, mas
têm-no pressionado continuamente a dar mais explicações e a adotar
medidas contundentes.Uma das vozes mais
duras tem sido a do Somar, que está na coligação de governo com os
socialistas, com alguns dos dirigentes desta formação, em linha com
outros partidos, a assumirem que aquilo que Sánchez disser na
quarta-feira aos deputados pode ser o primeiro passo para uma moção de
confiança e determinante para a continuidade da legislatura."Espanha
tem hoje um problema político" e quando isto acontece "não se pode
olhar para outro lado, é preciso abordar [o problema]", disse na semana
passada Yolanda Díaz, uma das vice-presidentes do Governo e dirigente do
Somar.Este caso de corrupção "é já um
problema de país", disse na mesma ocasião Yolanda Díaz, que considerou
que "a situação é muito grave" e pediu ao parceiro de Governo uma
mudança radical na resposta que está a dar.