Sánchez apela a defesa de Zapatero e admite "momentos duros" para PSOE
Hoje 17:23
— Lusa/AO Online
Numa mensagem enviada à direção executiva do PSOE, citada por vários
meios de comunicação espanhóis, Sánchez pede a defesa do "bom nome" de
Zapatero nestes "momentos duros" para o partido.
"Contudo, hoje mais do que nunca" os socialistas devem insistir na
tarefa "de continuar a lutar por fazer avançar" Espanha, acrescentou. Sánchez defendeu que Zapatero fez "muito bem e continua a fazer" pela "causa socialista".
José Luis Rodríguez Zapatero, de 65 anos, primeiro-ministro entre 2004 e
2011 e ex-líder do PSOE, vai ser ouvido em 02 de junho "como
investigado" por um juiz "por delitos de tráfico de influências e outros
conexos", disse hoje a Audiência Nacional de Espanha, num comunicado. Em
causa está um processo judicial "aberto para investigar o resgate da
companhia aérea Plus Ultra", segundo a Audiência Nacional, uma instância
central de investigação judicial em Espanha. Fontes
judiciais citadas pelos meios de comunicação social espanhóis revelaram
que Zapatero está indiciado por três crimes: organização criminosa,
tráfico de influências e falsificação. Zapatero garantiu inocência e prometeu total colaboração com a justiça. "Quero
reafirmar que toda a minha atividade pública e privada sempre se
desenvolveu com absoluto respeito pela legalidade", disse Zapatero, num
vídeo enviado aos meios de comunicação social.
A investigação judicial a Zapatero soma-se a outras que envolvem outras
pessoas próximas ou que foram próximas de Pedro Sánchez, como um antigo
ministro, ex-dirigentes do PSOE ou o irmão e a mulher do
primeiro-ministro, acusados ou investigados por corrupção ou tráfico de
influências. O presidente do Partido
Popular (PP, direita), a maior força da oposição em Espanha, Alberto
Núnez Feijóo, considerou hoje, numa mensagem na rede social X, que a
Sánchez "só lhe resta uma saída digna, não continuar a manchar nem um
minuto mais o bom nome da política, da justiça e de Espanha".
Segundo a imprensa espanhola, esta investigação que envolve Zapatero
tem no centro suspeitas de lavagem de dinheiro na companhia aérea Plus
Ultra e procura o paradeiro de 53 milhões de euros do resgate da
empresa, com dinheiro público, após a pandemia. A
Plus Ultra, considerada de pequena dimensão, voa desde Madrid para Lima
(Peru), Caracas (Venezuela), Buenos Aires (Argentina), Bogotá e
Cartagena das Índias (Colômbia). Em 2021,
beneficiou de um resgate financeiro de 53 milhões de euros, concedidos
na modalidade de empréstimo pelo governo espanhol, liderado pelo
socialista Pedro Sánchez, que na altura criou um fundo de dez mil
milhões de euros para resgatar empresas consideradas estratégicas que
estavam com dificuldades por causa da covid-19. Segundo
o processo judicial, citado pelos meios de comunicação social
espanhóis, Zapatero é suspeito de liderar "uma estrutura estável e
hierarquizada de tráfico de influências" com o fim de obter "benefícios
económicos" através de "influências em instâncias públicas em favor de
terceiros, principalmente, a Plus Ultra". A
investigação suspeita ainda da utilização de empresas e documentação
simulada "para exercer influências ilícitas" e ocultar a origem e o
destino de verbas, incluindo uma empresa de que são administradoras e
sócias as filhas de Zapatero. Esta
empresa das filhas de Zapatero (uma agência de comunicação) foi hoje
alvo de buscas pela polícia, assim como outras duas empresas e o
escritório do ex-primeiro-ministro, como confirmou a Audiência Nacional. A
investigação, tutelada pelo juiz José Luis Calama, suspeita que
Zapatero e as duas filhas receberam 1,95 milhões de euros em comissões,
de forma irregular, neste caso.