Sanae Takaichi eleita primeira mulher a liderar o Governo do Japão
21 de out. de 2025, 17:49
— Lusa/AO Online
A Câmara Baixa do Parlamento japonês nomeou
Takaichi, de 64 anos, logo na primeira votação e a sua nomeação será
oficializada quando se encontrar com o imperador Naruhito.A
quinta líder do arquipélago no mesmo número de anos enfrenta uma
situação política delicada no país, mas também uma agenda internacional
densa, que tem como primeiro ponto mais alto a visita ao Japão do
Presidente norte-americano, Donald Trump, já na próxima semana.Sanae
Takaichi conquistou, em 04 de outubro, a presidência do Partido Liberal
Democrático (PLD), a formação conservadora de direita no poder, quase
ininterruptamente desde 1955, mas que nos últimos meses perdeu a maioria
nas duas câmaras do Parlamento nipónico devido, nomeadamente, a
escândalos financeiros.O aliado
tradicional do PLD, o partido centrista Komeito, abandonou a coligação
em vigor desde 1999, incomodado com os escândalos e as opiniões
conservadoras de Sanae Takaichi.Para
garantir a eleição para a chefia do Governo e suceder ao
primeiro-ministro cessante, Shigeru Ishiba, Takaichi formou na
segunda-feira uma aliança com o Partido Japonês para a Inovação (Ishin),
uma formação reformista de centro-direita.A
nova líder do Governo do Japão, admiradora da ex-primeira-ministra
britânica Margaret Thatcher, apelidada de “Dama de Ferro”, prometeu um
Executivo com um número de mulheres “à escandinava”, em contraste com
apenas duas na equipa do antecessor.Uma
delas deverá ser Satsuki Katayama, ex-ministra da Revitalização
Regional, que ocupará o cargo de ministra das Finanças, de acordo com a
imprensa japonesa.O Japão está
classificado em 118.º lugar entre 148 no relatório de 2025 do Fórum
Económico Mundial sobre a disparidade entre os sexos e a câmara baixa do
Parlamento nipónico é exemplo disso mesmo, contando com apenas 15% de
mulheres.Takaichi quer trazer para agenda
das políticas publicas uma nova sensibilidade para as dificuldades
relacionadas com a saúde das mulheres e não hesita em falar abertamente
sobre os seus sintomas relacionados com a menopausa.No
entanto, as suas posições políticas sobre a igualdade de género
colocam-na à direita de um PLD já conservador. Por exemplo, a nova chefe
do Executivo opõe-se à revisão de uma lei que obriga os casais a usarem
o mesmo apelido e apoia uma sucessão imperial reservada aos homens.Takaichi também enfrentará a luta contra o declínio demográfico do Japão e a recuperação da quarta maior economia mundial.Além
disso, a coligação com o Ishin representa 231 assentos no Parlamento,
abaixo dos 233 necessários para a maioria absoluta, pelo que terá que
negociar com outros partidos para governar.Sanae
Takaichi já se manifestou a favor do aumento da despesa pública para
reanimar a economia, seguindo o exemplo de seu mentor, o
ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, e sua vitória impulsionou a Bolsa de
Tóquio a atingir níveis recordes, sobretudo devido à reputação “pomba
fiscal”, com a empresas a apostarem num novo ciclo de redução dos
impostos.No plano externo, Takaichi também
moderou o discurso sobre a China e, na semana passada, absteve-se
prudentemente de visitar o santuário Yasukuni, símbolo do passado
militarista japonês, agressivo contra os vizinhos do Japão.A
nível interno, finalmente, a primeira mulher líder do PLD e por
inerência primeira chefe de Governo nipónico tem como principal desafio
recuperar a popularidade do seu partido depois de uma série de reveses
eleitorais que viram a ascensão do Sanseito, um pequeno partido
populista que qualifica a imigração como uma “invasão silenciosa”.