Salários e reforço de medidas sociais nas reivindicações da UGT/Açores para 2025
18 de nov. de 2024, 15:50
— Lusa/AO Online
Essas medidas integram o caderno
reivindicativo para 2025, apresentado pela UGT/Açores, que criticou
a política de “baixos salários” que se pratica no país e na região “por
arrastamento”.A União Geral de
Trabalhadores (UGT) nos Açores, presidida por Manuel Pavão, aponta para o
"esmagamento" provocado nos salários médios devido ao aumento, "quase
exclusivamente nos últimos anos, apenas do salário mínimo".Nesse
sentido, os sindicalistas preconizam aumentos salariais entre os 4,7% e
7%, com um impulso mínimo de 52,50 euros, podendo mesmo atingir valores
superiores nos setores que vêm registando "lucros bem acima do normal
nos últimos tempos", como a banca, energia, comunicações, turismo e a
grande distribuição. A UGT/Açores volta a
defender o alargamento dos escalões da remuneração complementar aos
trabalhadores que ganhem remunerações ilíquidas até aos 2.000 euros e a
implementação da semana de trabalho de quatro dias e do regime do
teletrabalho aos trabalhadores em funções públicas e formação
profissional. Por outro lado, quer "a
convergência" da tabela salarial e do horário de trabalho dos
trabalhadores das entidades do setor social, com os congéneres da
administração pública regional. "Preconizamos
e incentivamos as entidades empresariais a aproveitarem as
prerrogativas legais e fiscais, tendo em vista os aumentos salariais e a
diminuição da precariedade, por forma convergirmos com a União
Europeia", lê-se no documento reivindicativo para 2025.No
setor público empresarial alerta para "a periclitante situação" da
transportadora aérea açoriana SATA, que "tem de primar por melhores
resultados" da sua operação.A UGT/Açores
preconiza também o reforço de medidas sociais, que "convençam as pessoas
a optarem por viver na região", desde gratuitidade de creches, apoio na
educação dos filhos, bem como aos idosos e mais desfavorecidos, e um
enfoque especial nas políticas de caráter social, "ancorando
especialmente a educação, o emprego e a formação profissional".Apesar
de assinalar "uma evolução positiva" na capacidade de criação de
emprego, onde o setor do turismo tem sido "um dos principais
responsáveis pela boa situação económica e social", a UGT/Açores pede
uma "vigilância apertada e rigor" nas opções de investimento nos
domínios, económico, ambiental, climático, habitacional, emprego e
turismo, insistindo que é preciso manter o combate à precariedade
laboral.Para a UGT/Açores, estas
dificuldades "são mais facilmente ultrapassáveis se prevalecer o diálogo
social", relevando o papel do Conselho Económico e Social dos Açores
(CESA), que é composto representantes da sociedade civil.O
apoio ao investimento gerador de emprego e "fixação da força de
trabalho" na região e o incentivo ao investimento privado, com medidas
de "desburocratização", são outras das reivindicações para 2025, assim
como o reforço das políticas no domínio da habitação para facilitar o
acesso da classe média, envolvendo autarquias e outras entidades.A UGT/Açores quer também a abertura de concursos nas carreiras da administração pública regional. Defende
também a conclusão do processo de integração dos técnicos superiores
das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e
Misericórdias que exercem funções para o Instituto da Segurança Social
dos Açores (ISSA), na Administração Pública.A
implementação efetiva do acelerador regional da progressão na carreira
dos trabalhadores em funções públicas, são outras das reivindicações.A
UGT/Açores lembra que assinou em 14 de outubro de 2024 a revisão do
Acordo de Parceria 2023-2028, subscrito pelo Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) e por outras organizações, que inclui muitas das
reivindicações em matéria sociolaboral para 2025, que "são justas e
essenciais".