Ryanair vai encerrar base de Faro a partir de janeiro
7 de ago. de 2019, 10:29
— Lusa/AO Online
A presidente do Sindicato
Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Luciana Passo,
disse que uma diretora de recursos humanos da Ryanair esteve hoje em
Faro para anunciar o encerramento. A
sindicalista participou numa reunião na Direção Geral do Emprego e
das Relações do Trabalho (DGERT), em Lisboa, para discutir os serviços
mínimos para a greve que irá decorrer na Ryanair de 21 a 25 de agosto.“Foi-nos
dito na DGERT que não seria bem encerrar [a operação], ou seja, a base
fecha, mas os voos continuam a ser feitos”, salientou Luciana Passo,
lembrando que a Ryanair tinha já “avisado que ia reduzir o número de
pilotos e tripulantes”. A presidente do
SNPVAC alertou que este anúncio “vem num 'timing' que parece de
tentativa de coação para que as pessoas tenham medo de fazer greve”. Luciana
Passo garantiu que “a decisão estava tomada há muito tempo, não foi por
causa de greve” e revelou ainda que, a partir de quarta-feira a
companhia aérea deverá anunciar o encerramento de mais bases na Europa. A
dirigente referiu ainda que, para já, não estão em causa mais empregos
em Portugal, onde a Ryanair conta com mais três bases, no Porto, em
Lisboa e nos Açores. Contactada pela Lusa,
a Ryanair recordou o comunicado de 16 de julho, em que indicava que
"algumas das bases da empresa serão reduzidas ou fechadas este inverno".Estas
conversações, de acordo com a Ryanair, estão a realizar-se nas bases
afetadas e não irão implicar corte ou redução de rotas. A
presidente do SNPVAC defendeu que “importa agora saber quais os
contratos que Ryanair fez com o Governo, que benefícios teve e se valeu a
pena” e lamentou que a greve possa ser usada para justificar este
encerramento. “Há sempre um bode expiatório, que são os tripulantes”, criticou. No
dia 01 de agosto, a Ryanair admitiu que poderá despedir até 500 pilotos
e 400 tripulantes de cabine, devido ao impacto do "Brexit" (saída do
Reino Unido da União Europeia), ao aumento do preço dos combustíveis e
ao atraso na entrega dos aviões Boeing 737 Max.A
companhia de aviação avançou detalhes em relação a este assunto, depois
de o seu presidente executivo, Michael O'Leary, ter exposto os planos
de reestruturação num vídeo enviado aos trabalhadores, em que pede
“desculpa” pelas “más notícias”.Na
segunda-feira, Michael O'Leary informou que o lucro da transportadora
aérea caiu 21% no primeiro semestre do exercício fiscal, para 243
milhões de euros, face a idêntico período do ano fiscal anterior. O
SNPVAC garante que está aberto a negociações, mas vai avançar com a
greve nos moldes em que está prevista, tendo em conta os resultados das
conversações de hoje. O pré-aviso entregue
na semana passada contempla uma paralisação entre dos dias 21 e 25 de
agosto. Os serviços mínimos desta nova greve deveriam ter sido definidos
na reunião de hoje, mas não houve acordo. Entre
as “ilegalidades” apontadas pelo SNPVAC está a falta de pagamento dos
subsídios de férias e de Natal, a não atribuição de 22 dias úteis de
férias por ano, o não cumprimento integral da lei da parentalidade
portuguesa ou a não integração do quadro de efetivos de todos os
tripulantes de cabine com mais de dois anos de serviço sem perda de
retribuição ou antiguidade."Já tinhamos
dito no pré-aviso que não aceitávamos qualquer tipo de voo com serviços
mínimos, porque há muitas alternativas para os países onde a Ryanair
opera e não há necessidade. A lista que a Ryanair apresentou era
praticamente toda a operação. Não chegamos a nenhum e entendimento será o
Ministério [do Trabalho] a decidir unilateralmente", adiantou a
dirigente.