Ryanair garante que voos programados estão a ser realizados em dia de greve
25 de jul. de 2018, 12:33
— Lusa/AO Online
Na
única publicação sobre a greve colocada na rede social Twitter, a
companhia irlandesa de baixo custo informou não ter havido “mais
interrupções nesses países e todos os voos programados estão a ser
operados hoje normalmente”.No
entanto, na página da ANA-Aeroportos de Portugal surgiram, pelas 11h30,
19 registos de cancelamentos de voos de e para os aeroportos de Lisboa e
do Porto nesta quarta-feira. No aeroporto de Faro não há indicação de
cancelamentos.A
empresa pediu desculpas aos 50 mil passageiros afetados na Bélgica,
Espanha e Portugal que viram os seus voos de hoje cancelados devido à
greve.O
Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil informou esta manhã que cerca de 50% dos voos da Ryanair com partida e chegada aos
aeroportos do continente foram cancelados devido à greve dos tripulantes
de cabine.“Neste
momento temos cerca de 50% de voos cancelados nas três bases de
Portugal continental [Faro, Lisboa e Porto] e neste momento em Ponta
Delgada [Açores] temos a informação de que um voo irá realizar-se”,
disse à agência Lusa o sindicalista Bruno Fialho, do Sindicato Nacional
do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).Os
tripulantes de cabine da transportadora aérea Ryanair cumprem hoje e
quinta-feira uma greve em Portugal, Espanha e Bélgica para exigirem a
aplicação da lei nacional laboral, enquanto em Itália a paralisação é de
24 horas.No
âmbito da greve, a Ryanair decidiu cancelar antecipadamente voos, um
número que em Espanha deverá chegar aos 400 e na Bélgica e em Portugal
200.A companhia estimou que os cancelamentos possam envolver até 50 dos mais de 180 voos diários operados de e para Portugal (27%).O
Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil tem denunciado,
desde o início da paralisação, que a Ryanair substitui ilegalmente
grevistas portugueses, recorrendo a trabalhadores de outras bases.A empresa admitiu ter recorrido a voluntários e a tripulação estrangeira durante essa greve.Esta quarta-feira,
Bruno Fialho revelou ter sido feita uma “coação sobre os
trabalhadores”, ao ser enviada uma “carta ameaçando os mesmos de que se
não fossem voar em dias de folga e que batiam nos dias da greve iriam
ser despedidos”.Questionado
sobre a carta, o diretor de marketing da Ryanair, Kenny Jacobs, recusou
que o conteúdo se relacionasse com a greve, garantido ser gestão de
recursos em “época do pico do verão”.Nas
cartas dirigidas aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso,
lê-se que na revisão do planeamento “é necessário emendar” turnos e que
os funcionários devem apresentar-se para os “deveres agendados nesta
data (dias 25 e 26) na linha do contrato de trabalho”.“Infelizmente,
em tempos desafiantes como este, os nossos passageiros têm que vir em
primeiro ligar e assim temos que garantir que temos tripulação
suficiente para cobrir o nosso horário. A falha em preencher estes
deveres vai resultar em ação disciplinar até e incluindo despedimento” e
falta de pagamento de bónus de produtividade”, lê-se.Para o sindicalista, esta carta da Ryanair “é crime”.Por
essa razão, a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) tem,
“desde a semana passada, vindo a acompanhar esta situação e a
desenvolver todos os passos necessários para identificar situações que
possam, eventualmente, ferir a legalidade do nosso quadro constitucional
do direito à greve”, acrescentou.A
decisão de partir para a greve foi tomada a 5 de julho numa reunião,
em Bruxelas, entre vários sindicatos europeus para exigirem que a
companhia de baixo custo aplique as leis nacionais laborais e não as do
seu país de origem, a Irlanda.Com
a greve, os trabalhadores querem exigir que a transportadora irlandesa
aplique a legislação nacional, nomeadamente em termos de gozo da licença
de parentalidade, garantia de ordenado mínimo e que retire processos
disciplinares por motivo de baixas médicas ou vendas a bordo dos aviões
abaixo das metas definidas pela empresa.