Rutte afirma que Europa não se conseguiria defender sem os Estados Unidos

Hoje 16:42 — Lusa/AO Online

“Se alguém aqui acha que a União Europeia, ou a Europa, se conseguiria defender sem os Estados Unidos… Continuem a sonhar. Não conseguem. Não conseguimos. Precisamos uns dos outros”, afirmou Mark Rutte numa audição no Parlamento Europeu.O secretário-geral da NATO criticou a ideia, defendida por alguns eurodeputados nesta audição, de que se deve desenvolver um pilar europeu de Defesa autónomo, que garantiria a proteção da União Europeia (UE) caso os Estados Unidos se retirem do continente, sugerindo que é irrealista.“Se quiserem realmente avançar sozinhos, esqueçam, porque nunca chegarão lá com 5% [do PIB destinado a Defesa]. Seriam necessários 10%. Teriam de desenvolver as vossas próprias capacidades nucleares. Isso custa milhares de milhões de euros”, avisou.Mark Rutte acrescentou que, caso os europeus decidam avançar nesse sentido, acabariam também por perder a sua “garantia máxima de segurança, que é o ‘guarda-chuva’ nuclear dos Estados Unidos”.“Por isso, bem, boa sorte”, ironizou.No entanto, Mark Rutte defendeu que os Estados Unidos também precisam da NATO, salientando que o facto de terem ignorado a Europa após a Primeira Guerra Mundial foi “um erro”, que os levou a terem de envolver-se na Segunda Guerra Mundial.“E o Ártico também é prova disso. Eles precisam de segurança no Ártico, na região do Euro-atlântico e na Europa. Por isso, os Estados Unidos têm tanto interesse na NATO como o Canadá ou os aliados Europeus”, disse.Rutte rejeitou ainda a ideia de que a atual administração dos Estados Unidos não está comprometida com o artigo 5.º da NATO, que estabelece o princípio da defesa coletiva, referindo que, na última cimeira dos líderes da Aliança, em julho em Haia, ao comprometerem-se com um investimento em Defesa de 5% do PIB, os aliados tiraram a “pedra no sapato” que havia nas relações com Washington.“O [assunto] irritante desapareceu. Por isso há um compromisso total dos Estados Unidos com a NATO e com o artigo 5.º”, garantiu.