Russos continuam a pressionar Bakhmut enquanto Kiev estuda cenários para contraofensiva
10 de mai. de 2023, 18:12
— Lusa
"Temos
vários cenários. Todos estão a ser trabalhados", afirmou hoje Oleksii
Danilov, secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da
Ucrânia, citado pela agência EFE.Danilov acrescentou que “dependendo das circunstâncias que surjam em um momento ou outro, as respetivas decisões serão tomadas”.Ao
mesmo tempo, insistiu que atualmente não há ninguém no Ocidente que
conheça todos os planos de Kiev, que "ainda não foram aprovados".O
ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, disse, por
seu lado, que a contraofensiva que está a ser preparada pelo exército,
possivelmente, "não será a última"."Não se pense nesta contraofensiva como a última, porque não sabemos como será", afirmou o ministro ao jornal alemão Bild.Kuleba insistiu que se a operação não obtiver os resultados desejados, haverá novos contra-ataques.As
declarações das autoridades ucranianas surgem depois de os Estados
Unidos e o Reino Unido prometerem na terça-feira que Washington e
Londres continuariam a apoiar a Ucrânia após a contraofensiva de Kiev."Temos
que continuar a apoiá-los, independentemente do sucesso da
contraofensiva no campo de batalha, porque este conflito não terminará
até que seja devidamente resolvido", disse o chefe da diplomacia
britânica, James Cleverly em conferência de imprensa após um encontro
com o seu homólogo norte-americano, Antony Blinken em Washington.Entretanto,
a Rússia disse hoje que tem conseguido repelir contra-ataques
ucranianos em Bakhmut, na província de Donetsk, leste da Ucrânia, onde
se continua a travar a mais longa e sangrenta batalha desde o início da
guerra. "As divisões das tropas
aerotransportadas retardam as ações do inimigo nos flancos", disse o
porta-voz do Ministério da Defesa russo, tenente-general Igor
Konashenkov, no seu relatório diário de guerra.O
porta-voz também afirmou que os destacamentos de assalto, referindo-se
aos mercenários do Grupo Wagner, "continuaram as operações ofensivas
para capturar os bairros da periferia noroeste e oeste da cidade".O
porta-voz do Grupo Oriental das Forças Armadas da Ucrânia, Serhiy
Cherevaty, reconheceu entretanto que a situação continua difícil na
cidade, onde os combates começaram em agosto passado.De
acordo com as suas declarações na televisão, Moscovo está a usar cada
vez mais tropas regulares em Bakhmut devido ao alto número de baixas
entre os combatentes do Grupo Wagner.Cherevaty
concordou com Andriy Biletski, fundador do batalhão nacionalista Azov e
líder do partido político Corpo Nacional, que relatou um avanço das
tropas ucranianas nas proximidades de Bakhmut, onde teriam libertado
parte do território ocupado e infligido pesadas perdas numa brigada
mecanizada (72.ª) das Forças Armadas Russas.Em
recentes declarações, o chefe do grupo paramilitar, Yevgueni Prigozhin,
confirmou a fuga das suas posições dos soldados daquela brigada.Segundo
Prigozhin, que afirma ter recebido apenas 10% da ajuda reivindicada ao
Ministério da Defesa russo, tomar o flanco agora abandonado pelos homens
daquela brigada mecanizada custou a vida de 500 mercenários naquela
altura.A Terceira Brigada de Assalto
Separada das Forças Armadas Ucranianas confirmou, por sua vez, que uma
das brigadas russas que tentava assumir o controlo total da cidade de
Bakhmut abandonou as suas posições deixando para trás "500 cadáveres"."É
oficial. A informação de Prigozhin sobre a fuga da 72.ª Brigada
Mecanizada Separada das Forças Armadas Russas e sobre 'os 500 cadáveres'
que os russos deixaram lá é verdadeira", disse a brigada na plataforma
Telegram.De acordo com o Instituto
norte-americano para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês),
Prigozhin falhou a sua tentativa de forçar a Defesa em Bakhmut em
relação a outros alvos que o exército regular tem proposto.Por
outro lado, o ISW é de opinião que Moscovo está a preparar-se para uma
longa guerra na Ucrânia, a julgar pelas recentes declarações do
Presidente russo, Vladimir Putin, que quer apresentar a Rússia como um
país que resiste com sucesso a todo o Ocidente.A
ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na
Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14,7 milhões de pessoas – 6,5
milhões de deslocados internos e mais de 8,2 milhões para países
europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica
esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra
Mundial (1939-1945).Pelo menos 18 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.A
invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a
necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança
da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade
internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e
imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.A
ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje
entrou no seu 441.º dia, 8.791 civis mortos e 14.815 feridos,
sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.