Rússia saúda disponibilidade de Biden para "conversações sérias"
Ucrânia
16 de fev. de 2022, 11:51
— Lusa/AO Online
“É positivo que o Presidente dos EUA
também tenha manifestado a sua disponibilidade para negociações
sérias”, disse o porta-voz do Kremlin (Presidência russa), Dmitry
Peskov, citado pela agência francesa AFP.Peskov
disse que as próximas conversações serão “muito difíceis” e devem
conduzir a uma revisão da arquitetura de segurança europeia que emergiu
da Guerra Fria, que opôs a antiga União Soviética aos EUA e respetivos
aliados.“Será muito difícil, será necessária muita flexibilidade de ambos os lados, vontade política”, comentou o porta-voz do Kremlin.Num
discurso à nação na terça-feira, Joe Biden defendeu negociações
diplomáticas com Moscovo para resolver a crise sobre a Ucrânia.Biden
também disse que os EUA apresentaram novas medidas de controlo de
armamento e de manutenção de estabilidade para permitir um “ambiente
seguro na Europa”.“Não iremos sacrificar
os nossos princípios básicos. As nações têm direito à sua soberania
territorial e à liberdade de escolher o seu próprio caminho. Escolher o
tipo de ambiente que desejam viver”, alertou, no entanto.O
Ocidente acusa a Rússia de ter concentrado mais de 100.000 tropas nas
fronteiras da Ucrânia para invadir novamente o país vizinho, depois de
ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.A
Rússia nega qualquer intenção bélica, mas exige que a Organização do
Tratado do Atlântico Norte (NATO) retire as suas infraestruturas
militares do Leste da Europa.Moscovo exige
também o fim da política de alargamento da NATO aos países do leste da
Europa que fizeram parte da União Soviética (1922-1991), como a Ucrânia e
a Geórgia.A Ucrânia inscreveu o seu
objetivo de aderir à NATO e à União Europeia (UE) na sua Constituição,
através de uma emenda constitucional aprovada em 2019.Relativamente
à Ucrânia, a Rússia exige ao Ocidente uma garantia juridicamente válida
de que o país vizinho nunca será membro da NATO.Os
aliados rejeitam as exigências russas e mantêm a política de porta
aberta da NATO, bem como o respeito pelo direito de cada país de decidir
as suas alianças militares.