Rússia rejeita envio de qualquer contingente militar europeu
Ucrânia
21 de ago. de 2025, 15:24
— Lusa/AO Online
“Uma intervenção estrangeira em
parte do território ucraniano (...) é totalmente inaceitável para a
Rússia”, afirmou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, após
conversações com o homólogo indiano, Subrahmanyam Jaishankar, em
Moscovo.Lavrov disse que as discussões do
Ocidente com Kiev “estão, na essência, relacionados com a prestação de
garantias através da intervenção militar estrangeira em alguma parte do
território ucraniano”.Afirmou esperar que
“aqueles que estão a forjar tais planos” compreendam que o envio de
tropas europeias para a Ucrânia será também inaceitável para “todas as
forças políticas sensatas na Europa”.Lavrov
também acusou a Ucrânia de não querer uma “solução justa e duradoura”
para o conflito, num momento em que os esforços diplomáticos se
intensificaram na sequência de encontros impulsionados pelo Presidente
norte-americano, Donald Trump.“O regime
ucraniano e os seus representantes (...) mostram claramente que não
estão interessados numa resolução justa e duradoura”, afirmou durante
numa conferência de imprensa conjunta com Jaishankar.Lavrov
disse que os objetivos da liderança ucraniana, “certamente alimentados
pelos patrocinadores ocidentais do regime de Kiev, são dirigidos contra
os esforços que o Presidente Donald Trump está a fazer”, segundo
noticiou a agência oficial russa TASS.Lavrov
criticou o que descreveu como a pressa do Presidente ucraniano,
Volodymyr Zelensky, em realizar uma cimeira com o homólogo russo,
Vladimir Putin, em solo europeu, de acordo com a agência espanhola EFE.Considerou
que Zelensky está a tentar substituir o trabalho diplomático “sério,
árduo e difícil” para alcançar um acordo duradouro por uma cimeira
prematura.O ministro comparou a postura de
Zelensky com os efeitos e truques que usava quando trabalhava como
comediante na televisão russa e ucraniana antes de se tornar Presidente
em 2019.“Lembram-se que ele [Zelensky]
afirmou durante muito tempo que nunca manteria conversações com Putin.
Ainda não revogou o seu decreto de há três anos, que proíbe
expressamente negociações com Putin”, afirmou.Lavrov
pôs ainda em dúvida a legitimidade de Zelensky para assinar um futuro
acordo de paz, dado que Moscovo o considera um presidente ilegítimo
desde maio de 2024, quando terminou o mandato.A
Ucrânia argumenta que ainda não realizou eleições presidenciais por
estar em guerra, iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022, quando
invadiu o país vizinho.