Rússia realiza sábado novas manobras militares com supervisão direta de Putin
Ucrânia
18 de fev. de 2022, 11:10
— Lusa/AO Online
"No dia 19 de fevereiro, sob a direção do
comandante supremo das Forças Armadas russas, Vladimir Putin, vai ser
organizado um exercício planificado das forças de dissuasão
estratégica", indicou um comunicado do Ministério da Defesa russo.De
acordo com o mesmo documento, "os tiros de mísseis balísticos e de
mísseis de cruzeiro" vão realizar-se no quadro dos exercícios que já
decorrem e que envolvem soldados da Zona Militar do Sul da Rússia,
forças "aeroespaciais", forças estratégicas e ainda das frotas navais
russas no Mar do Norte e no Mar Negro.De
acordo com o Ministério da Defesa, estas manobras visam “testar a
prontidão” das forças envolvidas e a "fiabilidade das armas estratégicas
nucleares e não nucleares”.As forças
"estratégicas" russas, de acordo com a definição traçada por Moscovo,
foram concebidas para responder a cenários de ameaça, incluindo uma
guerra nuclear. Estão dotadas de mísseis
intercontinentais de longo alcance, bombardeiros estratégicos de longo
alcance, submarinos, navios de superfície e de uma força aérea naval que
transporta mísseis convencionais de longo alcance.Estes
novos exercícios ocorrem numa altura de forte tensão entre o Ocidente e
a Rússia, com o regime de Moscovo a ser acusado de concentrar até
150.000 soldados nas fronteiras da Ucrânia, numa aparente preparação
para uma potencial invasão do país vizinho.Moscovo desmente qualquer intenção bélica e afirma ter retirado parte do contingente da zona.Entretanto,
o exército da Ucrânia e os separatistas pró-russos acusaram-se hoje
mutuamente de novos bombardeamentos no leste do país, onde a guerra se
prolonga desde 2014.As autoridades
ucranianas referem 20 violações do cessar-fogo pelos separatistas
pró-russos durante a noite passada, enquanto as milícias pró-Rússia
acusam as Forças Armadas de Kiev de terem efetuado 27 disparos nas
últimas horas.Em 2014, a Rússia anexou a
península da Crimeia, o que desencadeou uma guerra na região do Donbass
(leste ucraniano) que provocou até hoje mais de 14 mil mortos, de acordo
com as Nações Unidas. Esta semana, a
câmara baixa do parlamento russo (Duma) aprovou um apelo dirigido a
Vladimir Putin para que este reconheça a independência dos territórios
separatistas da Ucrânia.O reconhecimento
da independência destes territórios pode significar o fim dos Acordos de
Minsk, firmados em 2015 sob a mediação da França e da Alemanha.Nos
últimos meses, 720 mil residentes das zonas separatistas receberam
passaportes russos e estatuto de cidadania por parte de Moscovo.