Rússia intensifica repressão de grupos de direitos humanos e persegue ativistas
28 de abr. de 2023, 17:19
— Lusa
A
polícia revistou as casas de três advogados de um grupo de ativistas
contra a tortura que oferece ajuda jurídica, chamado Team Against
Torture.Num comunicado divulgado ‘online’,
o grupo indicou que as operações policiais em Nizhny Novgorod, uma
grande cidade do oeste da Rússia, decorreram no âmbito de uma
investigação criminal anteriormente iniciada.Não
foram fornecidos mais pormenores, devido a preocupações com a segurança
das pessoas que o grupo está a ajudar, segundo o comunicado.Na
quinta-feira, um tribunal de Moscovo ordenou o encerramento do Sova
Center, uma importante organização não-governamental (ONG) que
monitoriza o racismo e a xenofobia na Rússia, bem como a aplicação de
leis de combate aos extremismos.As autoridades acusaram a organização de violar o seu registo legal em Moscovo ao participar em eventos fora da capital russa.Já
este ano, a mais antiga organização de defesa dos direitos humanos – o
Moscow Helsinki Group – foi encerrada pela mesma infração legal, uma
decisão da qual apresentou recurso, alegando que “os direitos humanos
são extraterritoriais”.Mas hoje, o
Tribunal de Apelação da Rússia rejeitou o recurso interposto pela ONG,
confirmando a decisão da sua dissolução, tomada em janeiro por um
tribunal de primeira instância moscovita.Hoje,
num comunicado divulgado após a audiência judicial, o Sova Center
rejeitou também as acusações e indicou que vai recorrer da decisão,
continuando, entretanto, a fazer o seu trabalho.A ação das autoridades russas contra o grupo desencadeou críticas no Ocidente.O Governo alemão declarou que a repressão interna russa parece ter-se intensificado em simultâneo com o ataque à Ucrânia.“Este
encerramento junta-se a uma triste lista de importantes organizações
não-governamentais proibidas de funcionar pelo Governo russo, entre as
quais a Memorial e o Moscow Helsinki Group”, disse a porta-voz do
Governo alemão Christiane Hoffmann à imprensa, em Berlim.“É um facto que já não há liberdade de opinião na Rússia”, acrescentou.Hoffman
também acusou o Kremlin de “constantemente procurar novas desculpas
para prolongar” a prisão do líder da oposição Alexei Navalny, que será
sujeito a um novo julgamento nas próximas semanas por “extremismo” e
ainda mais um processo judicial, desta vez por “terrorismo”.O
político, que já está a cumprir uma pena de prisão de nove anos, disse
que poderá enfrentar prisão perpétua se for acusado e condenado por
terrorismo.Navalny, de 46 anos, foi detido
em janeiro de 2021, ao regressar a Moscovo depois de recuperar na
Alemanha do envenenamento com uma substância neurotóxica pelas
autoridades russas.Inicialmente, recebeu
uma sentença de dois anos e meio de prisão por violação da liberdade
condicional, mas, no ano passado, foi condenado a nove anos de prisão
por “fraude” e “desrespeito do tribunal”, estando a cumprir a pena numa
prisão de segurança máxima situada 250 quilómetros a leste de Moscovo.A
porta-voz do executivo alemão instou a Rússia a assegurar-se de que
Navalny recebe os cuidados médicos de que necessita e lhe têm sido
negados, “apesar do óbvio agravamento do seu estado de saúde” – algo que
os seus aliados recentemente revelaram.Questionada
sobre se a Alemanha voltaria a acolher Navalny se este conseguisse
regressar ao país, Hoffmann respondeu: “Com certeza que sim”.Também
hoje, as organizações Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Associação de
Jornalistas de Informação Económica (APIE) denunciaram a situação do
jornalista norte-americano preso na Rússia, Evan Gershkovich,
correspondente do diário Wall Street Journal, na altura em que se
completa, esta semana, um mês da sua privação de liberdade.Gershkovich
está em prisão preventiva desde 30 de março por acusações de
“espionagem”, após uma “detenção arbitrária e sem fundamento”, segundo
um comunicado divulgado na página da internet da RSF, razão pela qual as
associações exigem a sua libertação.No
mesmo texto, condenam também os “reiterados ataques” do Governo russo à
imprensa, uma “preocupante escalada de ações” que se materializaram em
detenções “que enviam um perigoso sinal à profissão e põem em risco o
jornalismo independente”.