Rússia exige provas do Ocidente sobre alegado envenenamento de Navalny
Hoje 18:02
— Lusa/AO Online
“Não
recebemos qualquer documento que contenha a fórmula da substância ou as
metodologias utilizadas para identificar o veneno, como lhe chamam.
Nada disso”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros
russo, Maria Zakharova, referindo-se à alegada toxina mortal
identificada por cinco países europeus, com base em amostras
laboratoriais recolhidas do corpo de Navalny.Zakharova
questionou por que motivo os países que acusam a Rússia não divulgaram
as provas e disse que Moscovo enviou dezenas de pedidos oficiais sem
obter resposta.“Podemos finalmente ver as
provas?”, insistiu Zakharova, acrescentando que, segundo a sua opinião, a
divulgação dos documentos implicaria um escrutínio técnico que os
governos ocidentais não desejam.As
declarações de Maria Zakharova surgem no contexto do segundo aniversário
da morte de Alexei Navalny, figura central da oposição ao Presidente
Vladimir Putin.Navalny morreu em 16 de
fevereiro de 2024, aos 47 anos, numa colónia penal no Ártico, para onde
tinha sido transferido em dezembro, depois de ter estado numa prisão na
região de Vladimir, a menos de 200 quilómetros de Moscovo.Na altura, cumpria uma pena de 19 anos de prisão por várias condenações penais, incluindo extremismo.No
sábado passado, cinco países europeus - Reino Unido, Suécia, França,
Alemanha e Países Baixos – afirmaram que o opositor russo morreu
envenenado com uma toxina mortal encontrada em sapos-dardo da América do
Sul.Num comunicado conjunto, os países
referiram que os respetivos governos chegaram a esta conclusão com base
em amostras laboratoriais recolhidas do corpo de Navalny, que
confirmaram conclusivamente a presença da neurotoxina epibatidina.Numa
primeira reação, a Rússia classificou como “necropropaganda” e “ultraje
aos mortos” as acusações dos governos dos cinco países ocidentais.A
viúva do opositor, Yulia Navalnaya, acusou no sábado o Kremlin
(presidência russa) de ter morto o marido com “uma arma química”,
referindo-se também ao envenenamento com o agente nervoso Novichok
durante uma viagem à Sibéria em 2020.A
família de Navalny, aliados políticos, médicos independentes e vários
Ministérios dos Negócios Estrangeiros ocidentais rejeitaram a versão
oficial russa de que o opositor morreu de causas naturais, atribuídas a
uma arritmia súbita.