Rússia exige participação em igualdade em Paris2024 e quer presença da Ucrânia
1 de fev. de 2023, 10:45
— Lusa/AO Online
“Os
russos devem participar exatamente nas mesmas condições que todos os
outros atletas. Quaisquer condições e critérios adicionais não são
bem-vindos, especialmente aqueles que têm uma componente política
absolutamente inaceitável para o Movimento Olímpico", vincou o
presidente do COR, Stanislav Pozdnyakov.Depois
de o Comité Olímpico Internacional (COI) ter aberto a porta ao regresso
de russos e bielorrussos às competições, mediante o cumprimento de
algumas regras, entre as quais a de competir sob bandeira neutra,
diversos dirigentes ucranianos, que lutam no sentido de evitar o cenário
da participação, já admitiram inclusivamente faltar ao evento.“A
nossa história mostra que qualquer tentativa de boicote nunca levou ao
sucesso do país que a ele recorreu. Peço à Ucrânia que renuncie a
qualquer tipo de boicote”, sublinhou o dirigente. Indiferente
às exigências do COI, entre as quais a obrigatoriedade dos desportistas
competirem sob bandeira neutra, a ausência de símbolos nacionais da
Rússia e Bielorrússia, ou a circunstância dos competidores não terem
manifestado apoio à guerra, Stanislav Pozdnyakov lembra que “a Carta
Olímpica estipula que todos os atletas devem participar em pé de
igualdade".Do lado ucraniano, a denúncia da “hipocrisia” do COI e a acusação de que este é “promotor de guerra, assassinato e destruição”.“É
óbvio que o dinheiro que compra a hipocrisia olímpica não cheira ao
sangue da Ucrânia. Não é assim, Sr. Bach?”, disse o conselheiro da
presidência, Mykhailo Podoliak, referindo-se ao presidente do COI.Antes
disso, o presidente Volodymyr Zelensnki já tinha desafiado o alemão
Thomas Bach a visitar Bakhmout para lhe fazer “ver com os próprios olhas
que neutralidade não existe”, prometendo ainda trabalhar no sentido de
“limpar a hipocrisia da gestão das estruturas olímpicas internacionais”.O
COI tem-se escudado no poder das federações internacionais,
considerando que cabe a estas a decisão de reintegrar os desportistas
banidos. Depois de rejeitar um possível
boicote russo a Paris2024 face às imposições do COI, Pozdniakov recorda
que a missão do movimento olímpico é a de “fazer um mundo melhor através
do desporto”. "E nisso nenhum boicote
pode ajudar. Não apenas a China nos apoia, conforme relatado pelo COI,
mas a maioria dos comités olímpicos apoiam a nossa participação. Mesmo
aqueles países que não são nossos amigos. O desporto deve ficar fora da
política", frisou o presidente do comité olímpico russo.Os
Jogos Olímpicos Paris2024 vão decorrer de 26 de julho a 11 de agosto de
2024, sendo que a esmagadora maioria das fases de apuramento já está em
curso.