Rússia envia segundo carregamento de armas para tropas governamentais

RCA

17 de ago. de 2019, 01:17 — AO Online/ Lusa

O primeiro fornecimento tinha acontecido em janeiro, depois de os russos terem sido autorizados em meados de dezembro, após longas autorizações no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a fornecer um ‘stock’ de armamento às forças centro-africanas, apesar de um embargo à venda de armas estar em curso desde 2013.O carregamento desembarcado no aeroporto internacional da Bangui M’poko, na quarta-feira, é o primeiro de uma série anunciado em 21 de maio pela presidência russa.No total, 14 carregamentos devem chegar ao país “durante as próximas semanas”, declarou o primeiro conselheiro da embaixada russa na RCA, Viktor Tokmakov, citado pela agência France-Presse.Militares centro-africanos e soldados da força da ONU no país (MINUSCA, na sigla em Inglês) foram deslocados para Bangui para proteger os carregamentos, indicou a força das Nações Unidas.Os carregamentos incluem armas ligeiras – pistolas e espingardas de assalto, de precisão e metralhadoras, mas também lança-rockets, armas antiaéreas e munições.As armas destinam-se a equipar oito batalhões (cerca de 2.700 homens) das forças armadas do país (FACA, na sigla em francês), formadas por instrutores russos no campo militar de Bérengo, no sudoeste do país.O exército nacional deve substituir a prazo os soldados da MINUSCA, num país onde os grupos armados continuam a disputar território e recursos.Uma primeira entrega de armas russas ocorreu entre janeiro e fevereiro, no seguimento de um acordo de defesa assinado entre a Federação Russa e a RCA, em agosto de 2018.Os Estados Unidos da América (EUA), a França e o Reino Unido tinham solicitado à Federação Russa medidas reforçadas de armazenagem destas armas e a identificação com números de série, segundo fontes diplomáticas.A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.O Governo centro-africano controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro pelo governo e por 14 grupos armados. Um mês mais tarde, as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde agora tem a 5.ª Força Nacional Destacada (FND) e militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA).A 5.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares do Exército, na sua maioria elementos dos Comandos (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres), e três da Força Aérea.