Rússia diz que por agora não pretende deslocar tropas para Donetsk e Lugansk
Ucrânia
22 de fev. de 2022, 16:04
— Lusa/AO Online
“Não
vamos especular. De momento, não estamos a planear enviar nada para
lado nenhum”, disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo,
Andrei Rudenko, à agência de notícias russa Interfax, quando questionado
sobre o envio de uma possível ajuda militar para Donetsk e Lugansk.Rudenko
assinalou que a Rússia pode recorrer ao envio de tropas, com base no
tratado de assistência mútua ratificado hoje pelas partes, caso surja
uma ameaça contra Donetsk e Lugansk."Se houver uma ameaça, é claro que forneceremos assistência de acordo com o tratado que foi ratificado”, declarou Rudenko.Os
textos dos acordos bilaterais entre Moscovo e as duas repúblicas
separatistas também implicam a proteção conjunta das suas fronteiras com
a Rússia e a possibilidade de uso de bases militares e de
infraestruturas militares.Um dos artigos
dos tratados estabelece expressamente que, para garantir a segurança, a
paz e a estabilidade, cada uma das partes concederá à outra o direito de
construir, usar e melhorar as suas infraestruturas militares e bases
militares nos respetivos territórios.As formas de execução deste direito estarão sujeitas a outros acordos separados.Além
disso, as partes poderão tomar as medidas à sua disposição para
combater em conjunto "contra atos de agressão de outros países ou grupos
de países" e para prestar uma assistência mútua caso seja necessária,
incluindo assistência militar.Os
signatários dos documentos também poderão realizar consultas urgentes
"quando uma das partes considerar que há uma ameaça de ataque" para
garantir conjuntamente a segurança da parte ameaçada, segundo o mesmo
documento.O ministro dos Negócios
Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, disse hoje que a Rússia "continua
aberta ao diálogo" sobre a crise na Ucrânia"Mas
queremos saber sobre o que vamos dialogar. Se for apenas para humilhar a
Rússia e culpá-la de tudo, não haverá diálogo", disse Lavrov.O
Presidente russo, Vladimir Putin, assinou, na segunda-feira à noite, um
decreto que reconhece as regiões separatistas de Lugansk e de Donetsk,
no Donbass (leste), e ordenou a entrada das forças armadas russas
naqueles territórios ucranianos numa missão de “manutenção da paz”.A
decisão de Putin foi condenada pela generalidade dos países ocidentais,
que temiam há meses que a Rússia invadisse novamente a Ucrânia, depois
de ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.Nesse
ano, começou a guerra no Donbass entre os ucranianos e os separatistas
pró-russos de Donetsk e Lugansk apoiados por Moscovo, que provocou,
desde então, mais de 14.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados, segundo a
ONU.