Rússia condena expulsão da Igreja Ortodoxa da Ucrânia da sua principal sede
13 de mar. de 2023, 12:57
— Lusa/AO Online
"Esta é uma atitude sem
precedentes contra os representantes da Igreja Ortodoxa Russa.
Consideramos isso inadmissível e, claro, defendemos que a comunidade
internacional deve reagir adequadamente a esta decisão ultrajante",
disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.Peskov acrescentou que o Kremlin “está preocupado” com a situação do clero, que deve abandonar a sua sede até 29 de março.Em
10 de março, as autoridades de Kiev-Pechersk informaram o mosteiro da
Igreja Ortodoxa Ucraniana que iriam rescindir o contrato de livre uso do
mosteiro, dos templos e de outras propriedades da Igreja Ortodoxa, pelo
que os cerca de 200 monges deveriam abandonar as instalações até ao
final de março.A decisão ocorre depois de o
Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) ter realizado buscas na sede
desta congregação, abrindo processos criminais contra os seus principais
representantes, alegando provas de "atividades subversivas".Além
disso, o Conselho Nacional de Defesa e Segurança da Ucrânia anunciou
sanções contra uma dezena de clérigos e pessoas ligadas à congregação
pró-russa, incluindo o governador do Mosteiro das Covas de Kiev, Pavlo
(Lebed), e contra o ex-deputado do movimento Verkhovna Rada, Vadim
Novinski.No sábado, o chefe da Igreja
Ortodoxa Russa, Cirilo, dirigiu-se ao Papa Francisco e ao
secretário-geral da ONU, António Guterres, apelando a que "exerçam todos
os esforços possíveis" para evitar a expulsão dos monges e o
encerramento do mosteiro."É lamentável
que, enquanto a Ucrânia declara a adesão às normas democráticas, ao
caminho do desenvolvimento europeu, ao respeito pelos direitos e
liberdades humanos, esses direitos e liberdades estejam a ser violados
da maneira mais flagrante", criticou Cirilo, que tem vindo a manifestar
apoio à invasão russa da Ucrânia.Para este
dirigente religioso russo, a decisão de expulsão dos monges é
repressiva, "carece de base legal" e responde à vontade de Kiev "sob a
influência de funcionários seculares ou representantes de outras
organizações religiosas".Em setembro de
2022, Cirilo chegou a dizer aos seus fiéis, em referência à invasão
russa da Ucrânia, que "o sacrifício no cumprimento do dever militar lava
todos os pecados".A ofensiva militar
lançada a 24 de fevereiro de 2022 pela Rússia na Ucrânia causou até
agora a fuga de mais de 14,6 milhões de pessoas – 6,5 milhões de
deslocados internos e mais de 8,1 milhões para países europeus -, de
acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de
refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945).