Rússia avisa para vazio sobre desarmamento nuclear com fim de tratado com EUA
Hoje 17:24
— Lusa/AO Online
“Na quinta-feira, expirou o Tratado de Redução de Armas Estratégicas e surgiu um vazio (...), em princípio, a Rússia está preparada para qualquer desenvolvimento dos acontecimentos”, disse Lavrov em conferência de imprensa em Moscovo.Lavrov afirmou que “a Rússia prefere o diálogo” e que se verá “em que medida os Estados Unidos também estão dispostos a isso”, segundo a agência de notícias espanhola EFE.Recordou ainda o comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros na quarta-feira, no qual Moscovo anunciou que se desvinculava das obrigações contempladas pelo tratado.O porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, afirmou hoje que a Rússia e os Estados Unidos estavam “conscientes da necessidade de um pronto início das negociações” sobre o desarmamento nuclear.Peskov confirmou que ambas as partes realizaram consultas sobre a questão na quinta-feira, em Abu Dhabi, em que abordaram a possibilidade de prolongar os limites contemplados pelo tratado e confirmaram que “assumirão posições responsáveis”.“Naturalmente, as cláusulas podem prolongar-se de maneira formal”, declarou, numa alusão à proposta do Presidente russo, Vladimir Putin, de prorrogar o acordo por um ano, no mínimo, à qual Washington nunca respondeu oficialmente.O portal norte-americano Axios noticiou que Moscovo e Washington negociaram uma possível prolongação por seis meses dos limites previstos no tratado.Contudo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, assegurou na quinta-feira à noite que quer “um tratado novo, melhorado e modernizado” que substitua o Start III, também designado New Start.“Em vez de prorrogar o tratado ‘New Start’ (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, acima de tudo, está a ser violado flagrantemente), deveríamos encarregar os nossos peritos nucleares de trabalharem num tratado novo, melhorado e modernizado que possa perdurar no futuro”, escreveu Trump nas redes sociais.Trump quer que a China, que disporá de cerca de 600 ogivas nucleares, participe nas próximas negociações de desarmamento, algo a que Pequim se opõe, posição apoiada por Moscovo.O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, conhecido pelo acrónimo inglês Start, foi assinado em abril de 2010, em Praga, pelos então presidentes russo, Dmitri Medvedev, e norte-americano, Barack Obama.Foi renovado em fevereiro de 2021 por cinco anos.O pacto restringia cada lado a um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 800 mísseis e bombardeiros, destacados e prontos a utilizar.Previa também inspeções para verificar o cumprimento dos respetivos termos, que foram interrompidas em 2020 devido à pandemia de covid-19 e nunca foram retomadas.