Rússia apela para negociações com EUA sobre armas nucleares
24 de jan. de 2025, 12:18
— Lusa/AO Online
“É
do nosso interesse lançar o processo de negociação o mais rapidamente
possível”, disse o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov,
aos jornalistas, citado pela agência francesa AFP.Peskov
disse que “a bola está no campo dos norte-americanos, que suspenderam
todos os contactos substanciais” com Moscovo sobre a questão.O
porta-voz do Kremlin afirmou também que deve ser tido em conta o
potencial nuclear dos aliados dos Estados Unidos, nomeadamente o Reino
Unido e a França.“É necessário ter em
conta todos os potenciais nucleares. E é impossível, por exemplo, ter
uma conversa e não ter em conta os potenciais nucleares da França e da
Grã-Bretanha”, disse Peskov, segundo a agência russa TASS.“As realidades atuais ditam essa necessidade”, acrescentou.Peskov
reafirmou que o Presidente russo, Vladimir Putin, está pronto para
falar com Donald Trump, que tomou posse na segunda-feira, mas está à
espera de sinais de Washington.“Putin está pronto. Estamos à espera de sinais. Todos estão prontos”, afirmou.Peskov
não deu qualquer indicação sobre o calendário ou a natureza dos sinais
esperados, enquanto Trump disse na quinta-feira que estava pronto para
uma reunião imediata com Putin.“É difícil
ler as borras de café aqui”, disse Peskov, atirando a bola de volta para
a Casa Branca (presidência norte-americana), segundo a AFP.Trump reafirmou na quinta-feira o desejo de se encontrar com Putin.“Acho
que, pelo que estou a ouvir, Putin quer encontrar-se comigo, vamos
encontrar-nos o mais depressa possível. Eu encontrar-me-ia com ele
imediatamente”, disse aos jornalistas na Sala Oval.“Todos
os dias em que não nos reunimos, há soldados mortos no campo de
batalha”, afirmou Trump, referindo-se ao conflito entre a Rússia e a
Ucrânia, que descreveu como “uma guerra ridícula’.Trump acrescentou que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “está pronto a negociar um acordo”.Anteriormente,
durante um discurso no Fórum Económico Mundial em Davos, Trump tinha
apelado à descida dos preços do petróleo, afirmando que “a guerra na
Ucrânia acabaria” assim que baixassem.Peskov respondeu hoje que o conflito na Ucrânia “não depende dos preços do petróleo”.O conflito “resulta de uma ameaça à segurança nacional russa”, afirmou.Desde
a reeleição de Trump, a Rússia, a Ucrânia e os seus aliados aguardam
para ver qual a posição que o imprevisível líder norte-americano irá
adotar.Aguardam, em particular, o que fará
no que se refere à questão da ajuda militar, que é crucial para a
Ucrânia, especialmente porque Trump se gaba de ter uma boa relação com
Putin.A Ucrânia receia ser colocada à mesa
das negociações em desvantagem, uma vez que está a lutar na linha da
frente, e ser forçada a ceder território ocupado pela Rússia.