Rússia ameaça utilizar “meios similares” se Kiev receber bombas de fragmentação
11 de jul. de 2023, 17:44
— Lusa
“Se
os Estados Unidos fornecerem bombas de fragmentação à Ucrânia, as
Forças Armadas russas serão forçadas a utilizar armas similares contra
as forças ucranianas”, disse Shoigu em declarações transmitidas pela
televisão russa.Shoigu recordou que nem a
Rússia, nem os Estados Unidos ou a Ucrânia, se associaram à Convenção
sobre Munições de Fragmentação (adotada em Oslo em 2008), mas assegurou
que Moscovo “sendo consciente da ameaça que representa esta munição para
a população civil, absteve-se e abstém-se de usá-la” no decurso da
campanha militar no território ucraniano. No
entanto, prosseguiu, Moscovo possui em reserva suficientes bombas de
fragmentação que são “muito mais eficazes” e mais diversas do que as
análogas norte-americanas.Nas suas
declarações, Shoigu também disse que a rede militar-industrial da Rússia
multiplicou desde 2022 a produção de diversas armas e outros
equipamentos para as suas Forças Armadas.Nesse sentido, insistiu que o envio de bombas de fragmentação a Kiev apenas “alargará o conflito” na Ucrânia.Sobre
esta questão em concreto, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg,
afirmou que a Ucrânia “está a ficar sem munições” e que é necessário
“fazer todo o possível para as fornecer”, apesar de considerar que a
entrega das controversas bombas de fragmentação consiste numa decisão
individual de cada país. Em paralelo, o
ministro da Defesa russo disse que a Ucrânia já perdeu mais de 26.000
soldados e 3.000 carros de combate desde a sua contraofensiva
desencadeada no início de junho, e que nenhum dos objetivos propostos
por Kiev foi alcançado.“Desde 04 de junho,
as baixas do inimigo foram mais de 26.000 soldados e 3.000 carros de
combate diversos”, afirmou o ministro aos ‘media’ russos, citado pela
agência noticiosa Interfax.Segundo
precisou Shoigu, a Rússia destruiu nesse período 21 aviões, cinco
helicópteros, 1.244 tanques e outro tipo de blindados, “incluindo 17
tanques alemães Leopard, cinco tanques sobre rodas franceses AMX e 12
blindados norte-americanos Bradley”. O
ministro russo também assinalou que foram destruídas 914 unidades de
equipamento bélico especial, dois sistemas antiaéreos, 25 lança-foguetes
múltiplos, bem como 403 peças de artilharia e morteiros de várias
proveniências. O titular da pasta da
Defesa afirmou que durante este período a defesa antiaérea russa
derrubou 176 mísseis HIMARS, 27 mísseis de cruzeiro Storm Shadow e 483
‘drones’ (aparelhos aéreos não tripulados). “No geral, o inimigo não conseguiu nenhum dos seus objetivos em nenhum setor da frente”, indicou. Pelo
contrário, e em relação às manobras das forças russas, Serguei Shoigu
afirmou que em Lyman, no leste da Ucrânia, os grupos de assalto de duas
brigadas motorizadas do grupo Centro não apenas repeliram a ofensiva
ucraniana nos arredores da localidade de Karmazinivka, mas passaram à
ofensiva e avançaram numa profundidade de um quilómetro e meio num setor
da frente com dois quilómetros de largura.Shoigu
frisou que as forças russas continuam a atacar de forma efetiva o
exército ucraniano e o armamento fornecido pelo Ocidente com armas de
longo alcance e alta precisão, “reduzindo consideravelmente o potencial
ofensivo do inimigo”. “Quero sublinhar de
forma especial que apesar da sua intensa agenda de trabalho, o
comandante em chefe [o Presidente russo Vladimir Putin] escuta duas
vezes por dia relatórios detalhados do comando militar russo”, concluiu.A
ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de
fevereiro do ano passado, mergulhou a Europa naquela que é considerada a
crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945).A invasão russa – justificada
por Vladimir Putin com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a
Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da
comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para
a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.