Rússia ameaça com armas nucleares se Finlândia e Suécia aderirem à NATO
Ucrânia
14 de abr. de 2022, 11:01
— Lusa/AO Online
"Será
necessário reforçar o agrupamento de forças terrestres, defesa
antiaérea, destacar forças navais significativas nas águas do Golfo da
Finlândia. E, então, já não poderemos falar de um Báltico sem armas
nucleares. O equilíbrio deve ser restabelecido”, escreveu Medvedev na
rede social Telegram.A Finlândia e a
Suécia estão a analisar a possível adesão à Organização do Tratado do
Atlântico Norte (NATO), na sequência da guerra em curso na Ucrânia,
desencadeada pela Rússia a 24 de fevereiro.As
autoridades de Moscovo usaram como uma das justificações para invadir a
Ucrânia o objetivo de travar o avanço da NATO a Leste, dado que Kiev
pretendia aderir à aliança militar ocidental.A
primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, disse na quarta-feira, no
final de um encontro com a sua homóloga sueca, Magdalena Andersson, em
Estocolmo, que a decisão sobre a possível adesão será tomada antes da
cimeira da NATO em Madrid, marcada para o final de junho.No
seu comentário no Telegram, citado pela agência russa TASS, Medvedev
disse que “muito em breve, até ao verão deste ano, o mundo tornar-se-á
mais seguro”, porque a Rússia terá de reforçar as suas fronteiras
terrestres com os países da NATO.Segundo o
também ex-primeiro-ministro russo, as fronteiras russas com a NATO
“mais do que duplicarão” se a Finlândia e a Suécia aderirem à
organização.A Finlândia partilha uma
fronteira de 1.340 quilómetros de extensão com a Rússia, que tem como
vizinhos cinco membros da NATO: Estónia, Letónia, Lituânia, Noruega e
Polónia.Segundo a NATO, os membros da
Aliança totalizam atualmente 1.215 quilómetros dos mais de 20.000
quilómetros da fronteira terrestre que a Rússia tem com 14 países.A
Rússia tem ainda fronteiras terrestres com Azerbaijão, Bielorrússia,
Cazaquistão, China, Coreia do Norte, Geórgia, Mongólia e Ucrânia, e
fronteiras marítimas com Suécia, Japão, Turquia e Estados Unidos.Medvedev
disse ainda que a NATO está disposta a aceitar os dois novos membros
“no menor tempo possível e com o mínimo de procedimentos burocráticos”.“Isto significa que a Rússia terá mais adversários oficialmente registados”, notou.Para
a Rússia, segundo Medvedev, é indiferente a NATO ter 30 membros ou 32 –
“menos dois, mais dois, dada a sua importância e população, não há
grande diferença” –, mas Moscovo deve reagir, “sem emoções, com a cabeça
fria”.Medvedev refutou a tese de que a
questão da adesão dos dois países à NATO não se colocaria se a Rússia
não tivesse invadido a Ucrânia.“Isto não é
assim. Em primeiro lugar, já foram feitas antes tentativas de os
arrastar para a Aliança. Em segundo lugar, e mais importante, não temos
disputas territoriais com estes países, como acontece com a Ucrânia. E,
portanto, o preço de tal adesão é diferente para nós”, afirmou.Medvedev
disse que a adesão à NATO divide a opinião pública na Finlândia e na
Suécia, apesar dos “máximos esforços dos propagandistas nacionais”, e
apelou para que finlandeses e suecos tenham consciência do que está em
causa.“Ninguém no seu perfeito juízo quer
aumentos de preços e impostos, aumento da tensão ao longo das
fronteiras, [mísseis] Iskander, hipersónicos e navios com armas
nucleares literalmente à distância de um braço da sua própria casa”,
escreveu.“Esperemos que a inteligência dos nossos vizinhos do Norte ainda vença”, acrescentou.