Rússia acusa UE e Reino de Unido de exigirem sanções a Washington
Ucrânia
21 de mai. de 2025, 17:09
— Lusa/AO Online
Num discurso na Universidade
Russo-Arménia, em Erevan, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo,
Serguei Lavrov, elencou a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von
der Leyen, o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro
britânico, Keith Starmer, “que agora exigem histericamente que os
Estados Unidos se juntem a ações antirrussas e aumentem o número de
sanções”.O chefe da diplomacia de Moscovo
salientou que, na conversa telefónica mantida na segunda-feira, os
líderes da Casa Branca, Donald Trump, e do Kremlin, Vladimir Putin,
concordaram trabalhar "em medidas concretas para um acordo duradouro e
sólido", que incluiria a opção de um cessar-fogo.“O
que fez a UE? Anunciou a aprovação do 17.º pacote [de sanções]. Isto
significa que queriam uma escalada da crise”, acusou Lavrov,
argumentando que os países europeus pretendem uma trégua sem
pré-condições para “rearmar a Ucrânia”.O
ministro russo insistiu na alegação do Kremlin que, em abril de 2022,
dois meses após o início da invasão da Ucrânia, Moscovo e Kiev chegaram a
um acordo em Istambul, mas "o Ocidente proibiu os ucranianos de
assinarem” o suposto entendimento."É por
isso que nos estão a dizer agora: 'Vamos fazer uma trégua e depois logo
se vê'. Não, já passámos por isso e não queremos mais", declarou.O
secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afastou na
terça-feira a imposição imediata de sanções adicionais à Rússia,
sustentando que mais pressão podia prejudicar as conversações de paz com
a Ucrânia. Ouvido numa comissão no
Senado, Rubio referiu que Trump "acredita que, se começar a ameaçar com
sanções, os russos vão parar de conversar" e defendeu que há vantagem em
manter o diálogo e "convencê-los a sentar-se à mesa das negociações".No
entanto, o chefe da diplomacia norte-americano alertou que Washington
poderá impor novas restrições económicas à Rússia se constatar a falta
de interesse num acordo de paz duradouro com Kiev, ressalvando que
nenhuma sanção em vigor foi suspensa.Um
dia depois de Putin e Trump terem discutido um roteiro para um acordo na
Ucrânia, o Conselho da União Europeia aprovou o 17.º pacote de sanções
contra a Rússia, visando em particular a chamada “frota fantasma”, que
ajuda clandestinamente Moscovo a contornar o comércio do petróleo, e
organizações e indivíduos russos e estrangeiros envolvidos.A
UE sancionou também mais de 45 empresas e indivíduos russos que
fornecem drones, armas, munições, equipamento militar, componentes
críticos e apoio logístico ao Exército russo, além de 27 pessoas e
entidades envolvidas em ataques híbridos contra o Ocidente.No
mesmo dia, o Governo britânico anunciou também cem novas sanções contra
os setores militar, energético e financeiro da Rússia, depois de o
Kremlin ter lançado ataques com centenas de drones contra a Ucrânia.