“Depois
de uma reflexão aprofundada sobre a situação política do país e
atendendo aos recentes resultados das últimas eleições autárquicas e da
incompreensível instabilidade e divisões internas, entretanto geradas no
PSD, o presidente Rui Rio decidiu recandidatar-se à liderança do
Partido Social Democrata”, refere o comunicado, intitulado “Por
Portugal, sou candidato”.O comunicado,
assinado pelo vice-presidente do PSD e líder da distrital de Aveiro
Salvador Malheiro, refere que “depois de agora anunciada a sua decisão, o
presidente do PSD e recandidato à liderança do partido fará brevemente a
apresentação pública formal da sua recandidatura”.“Com
esta sua decisão, tomada no devido tempo, de forma serena e
responsável, e sem qualquer preocupação de ordem tática, Rui Rio
entende, como sempre tem entendido ao longo da sua vida pública, que o
interesse de Portugal tem de estar acima daquilo que possa ser a
tranquilidade da sua própria vida pessoal”, justifica o texto.O
diretor de campanha da recandidatura de Rui Rio refere que seria
“compreensível a tentação de não continuar” do atual presidente do
partido “apesar dos êxitos políticos que o PSD conseguiu, quer no
continente, quer nas Regiões Autónomas, e depois das múltiplas e
desnecessárias dificuldades que, para tal, teve de ultrapassar”.“Mas, tal como sempre, Rui Rio não é homem para desistir de lutar pelo PSD e, acima de tudo, por Portugal”, salienta.Rio
mantinha desde a noite eleitoral autárquica, há mais de três semanas, o
silêncio sobre uma eventual recandidatura, apesar de, logo na madrugada
de 27 de setembro, ter considerado que o partido teve “um excelente
resultado”, que o colocava em “melhores condições de vencer as eleições”
legislativas de 2023.As eleições diretas
para escolher o presidente do PSD estão marcadas para 04 de dezembro e o
Congresso vai decorrer entre 14 e 16 de janeiro, em Lisboa, e, com o
anúncio de hoje, já estão assumidos dois candidatos: Rui Rio e o
eurodeputado Paulo Rangel, que apresentou na sexta-feira formalmente a
sua candidatura.Rui Rio é presidente do
PSD desde 13 de janeiro de 2018, quando venceu Pedro Santana Lopes por
cerca de 54% dos votos, mandato que renovou em 18 de janeiro de 2020 ao
derrotar com 53% dos votos Luís Montenegro, numa inédita segunda volta.A notícia de que Rui Rio iria anunciar hoje a sua recandidatura foi avançada inicialmente pela TVI, pela hora de almoço.Na
segunda-feira, na tomada de posse de Carlos Moedas como presidente da
Câmara de Lisboa, Rui Rio afirmou que a decisão sobre a sua eventual
recandidatura estava “quase tomada” e que em breve seria anunciada.Nessa
ocasião, Rui Rio reiterou estar muito preocupado por o país poder ir
para eleições antecipadas com o partido em disputa interna.“Obviamente
que me preocupa muita esta situação que foi criada que é podermos ter
um país em eleições antecipadas, que é mau, se o PSD estiver numa
disputa - sem presidente eleito e com congresso lá para janeiro - isto é
uma coisa terrível”, afirmou em declarações aos jornalistas. Na
quinta-feira, o Conselho Nacional do PSD chumbou uma proposta da
direção para que o calendário eleitoral interno fosse suspenso até se
esclarecer se o Orçamento do Estado é ou não aprovado, por 71 votos
contra e 40 a favor.Em entrevista à TVI,
na segunda-feira, Paulo Rangel voltou a discordar desta proposta,
considerando que o cenário de crise política “é especulativo” e
“altamente improvável”, e que, ainda que se verificasse, não
prejudicaria o PSD.“Não há nenhum risco de
uma eleição feita no PSD nesta altura não permitir que o partido tenha
um candidato forte a legislativas se elas se dessem em início de
fevereiro, meados de fevereiro ou até março”, defendeu, considerando que
esse seria o calendário “normal”.Na
semana passada, quando admitiu um cenário de eleições antecipadas
perante a ameaça de chumbo do Orçamento por parte de BE e PCP, o atual
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estimou que as
eleições legislativas antecipadas se realizariam em janeiro, que o novo
Governo tomaria posse em fevereiro e que só haveria Orçamento em abril e
realçou que neste período haveria uma "paragem em muitos fundos
europeus".