Rui Moreira diz ter dúvidas se nova ponte do Metro do Porto "é necessária"

27 de set. de 2022, 10:33 — Lusa/AO Online

“Não era ali que eu fazia a ponte, não fazia a ponte com aquela altura e tenho dúvidas se a ponte é necessária”, afirmou Rui Moreira, durante a sessão de segunda-feira à noite da Assembleia Municipal do Porto.O autarca, que respondia às considerações feitas pelo eleito da CDU Rui Sá de que no Porto “se brinca às pontes”, disse novamente não concordar com a “localização, bitola ou altura” da nova ponte do metro entre Gaia e Porto, no âmbito do projeto da linha Rubi.A construção da nova ponte sobre o rio Douro suscitou contestação por parte de moradores e da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto devido à inserção no Campo Alegre, alegando que lesava "questões de defesa da paisagem e salvaguarda patrimonial".No tempo destinado à apreciação da atividade do município, o deputado da CDU criticou o executivo por “brincar às pontes”, referindo-se à solução que está a ser negociada entre Câmara do Porto, Câmara de Gaia e Infraestruturas de Portugal (IP) de, em vez de duas pontes sobre o rio Douro, uma rodoviária e outra ferroviária para a alta velocidade, possa ser construída apenas uma ponte com dois tabuleiros, conforme avançou na segunda-feira o Jornal de Notícias.“Do ponto de vista do planeamento urbano ninguém se entende”, defendeu Rui Sá, criticando ainda o executivo por, nesta matéria, “gastar dinheiros públicos”.“Quantos milhares de euros a câmara já gastou numa ponte que foi apresentada em 2018 e que estava toda estudada?”, questionou o deputado sobre acerca da ponte D. António Francisco dos Santos, cujos projetos de construção e conceção deverão ser entregues pelos sete candidatos em meados de outubro.“Uma situação destas não se pode repetir. É preciso saber o que fazer do ponto de vista do planeamento urbano”, considerou.Em resposta ao deputado, Rui Moreira recusou que no Porto “se brinque às pontes”, lembrando que, nesta matéria, o Estado é a “prerrogativa”.Ao esclarecer que “se nada surgir em contrário”, a ponte D. António Francisco dos Santos “será, naturalmente, construída”, Rui Moreira reforçou que “nada está fechado”.“O que nós não estamos é a brincar às pontes. Se o Estado nos propuser construir uma ponte em dois tabuleiros, eu acho que é bom negócio. Pelo menos não é mau. O que seria mau era ignorarmos uma obra do Estado e fazermos a ponte, e dizermos que a pontezinha é nossa”, acrescentou, lembrando que tanto o primeiro-ministro, António Costa, como o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, vão apresentar na quarta-feira o projeto da alta velocidade entre Porto e Lisboa.No concurso de conceção e construção da ponte D. António Francisco dos Santos foram admitidos sete candidatos: a empresa Puentes y Calzadas Infraestructuras S.L.U.; o consórcio de Alexandre Barbosa Borges, S.A. e Construgomes Engenharia, S.A., o consórcio Mota-Engil, Engenharia e Construção, S.A. e Omatapalo - Engenharia e Construção, S.A., o consórcio Afavias - Engenharia e Construções, S.A., Casais - Engenharia e Construções, S.A. e Teixeira Duarte - Engenharia e Construções, S.A., o consórcio Ramalho Rosa Cobertar, Sociedade de Construções, S.A. e FCC Construcción, S.A., o consórcio Alberto Couto Alves, S.A., Alves Ribeiro, S.A. e Betar Consultores, Lda., e a empresa Conduril - Engenharia, S.A..