Rubio supervisiona no Panamá voo de deportação de migrantes colombianos pago por EUA
3 de fev. de 2025, 16:00
— Lusa/AO Online
Neste
voo, estão a ser repatriados 43 cidadãos colombianos, entre deportados e
expulsos por crimes como tráfico de seres humanos, agressões sexuais,
crimes relacionados com drogas e, a maioria deles, fuga de postos de
controlo fronteiriços, segundo informações oficiais.Além
de Rubio e da sua comitiva, estiveram presentes o ministro dos Negócios
Estrangeiros do Panamá, Javier Martínez-Acha, o ministro da Segurança,
Frank Ábrego, o diretor da Imigração, Roger Mujica, e o diretor da
Autoridade da Aviação Civil, Rafael Bárcenas.Depois
de presenciar o voo, o chefe da diplomacia norte-americana declarou que
a fronteira dos Estados Unidos, “de certa maneira, não começa no Texas e
no México”, mas muito mais a Sul no continente americano.“Até
certo ponto, a nossa fronteira não começa no Texas e no México, mas
muito antes”, afirmou Rubio no Aeroporto Internacional de Albrook, nos
arredores da Cidade do Panamá e nas margens do Canal do Panamá.E
acrescentou que, por isso, a melhor coisa que o Governo dos Estados
Unidos pode fazer “é criar todos os incentivos” para impedir que as
pessoas levem a cabo esse tipo de viagem.O
memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Panamá foi
assinado a 01 de julho do ano passado - no mesmo dia em que o Presidente
panamiano, José Raúl Mulino, tomou posse -, para reduzir o fluxo de
migrantes através do Darién, a fronteira de selva com a Colômbia
diariamente usada por migrantes que sonham chegar aos Estados Unidos em
busca de melhores condições de vida.Desde
então, os Estados Unidos financiaram voos e bilhetes para o regresso dos
migrantes aos seus países de origem no valor de quase 2,7 milhões de
dólares (2,6 milhões de euros), através deste acordo, segundo
informações do Governo norte-americano.Desde
a entrada em vigor do acordo, a 20 de agosto, foram efetuados 42 voos
‘charter’ para mais de 14 países, entre os quais Colômbia, Equador,
Índia e Vietname, com 1.729 migrantes, além de voos comerciais para
repatriar pessoas de países como Rússia, Afeganistão, Paquistão, Gana e
Turquia, segundo informações oficiais partilhadas pelas autoridades
norte-americanas.O fluxo de migrantes
ilegais que entram pela perigosa selva de Darién registou uma queda
“histórica”, com 2.158 migrantes em janeiro, em comparação com 34.839 no
mesmo período de 2024, indicam dados oficiais divulgados no fim de
semana pelo Serviço Nacional de Migração do Panamá.Até
à data, por falta de um acordo bilateral, não foram efetuados voos de
deportação para a Venezuela, a principal nacionalidade dos imigrantes
que atravessam a selva.“Isto (o acordo) é
prova da grande aliança que existe entre os Estados Unidos e o Panamá,
um país amigo e fraterno com o qual temos muitos laços e cooperação. O
que aconteceu neste hemisfério com a imigração em massa é muito
lamentável, uma tragédia”, sublinhou o secretário de Estado
norte-americano.“Em muitos casos”,
sustentou, os migrantes são “vítimas de uma via ilegal que criou
problemas a muitos países na região” e que pretendem chegar aos Estados
Unidos.“Hoje vimos parte de um programa de
cooperação que ajuda não só a reduzir a migração ilegal, mas também a
evitar que as pessoas com antecedentes criminais - neste grupo havia
seis ou sete - continuem a avançar e a criar problemas, não só no
Panamá, mas também noutros países”, disse Rubio.Tal,
acrescentou, “seria impossível sem a cooperação dos Estados Unidos com o
Governo do Panamá”, uma vez que ambos “trabalharam muito arduamente e
em conjunto e continuaremos a fazê-lo em relação a muitas outras
coisas”.O chefe da diplomacia
norte-americana chegou no sábado à noite ao Panamá, no âmbito de um
périplo que também o levará a El Salvador, para onde partirá ainda hoje,
Costa Rica, Guatemala e República Dominicana.Marco
Rubio deslocou-se ao Panamá num contexto de tensões relacionadas com
ameaças do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para “reaver” o
Canal devido à alegada presença da China.Rubio
manteve no domingo uma reunião com Mulino, descrita pelo Presidente
panamiano como “respeitosa e cordial”. Mulino propôs a Rubio uma
cooperação mais estreita na deportação de migrantes e informou-o da sua
intenção de não renovar o acordo de cooperação económica com a China
sobre a Nova Rota da Seda.Além disso, a
Autoridade do Canal do Panamá comunicou a Rubio que trabalhará com a
Marinha norte-americana para “otimizar o trânsito prioritário dos seus
navios” através da via navegável interoceânica, num novo gesto para
reduzir as tensões bilaterais.Num tom mais
duro, Rubio exigiu mudanças “imediatas” na gestão do Canal, porque a
presença chinesa, sustentou, “viola” os tratados entre os dois países,
indicou o Departamento de Estado num comunicado.Mais
tarde, Trump proclamou que planeia “reaver o Canal do Panamá, ou algo
em grande vai acontecer”, segundo uma breve declaração feita aos
jornalistas nos degraus do avião que o levou de volta a Washington,
depois de passar o fim de semana na sua mansão privada em Mar-a-Lago, na
Florida.