Rubio admite dificuldades em acordo antes de negociações em Genebra
Irão
Hoje 17:44
— Lusa/AO Online
Em conferência de
imprensa na capital húngara, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos
salientou que Teerão é governada por “clérigos xiitas radicais” que
tomam decisões “baseadas puramente na teologia”, e não em cálculos
geopolíticos, o que, defendeu, torna o processo negocial particularmente
complexo.“Chegar a um acordo com o Irão
não é fácil”, reiterou Rubio, sublinhando que, apesar das dificuldades, a
posição dos Estados Unidos não está a prejudicar as conversações
centradas no programa nuclear iraniano. Rubio
evitou avançar pormenores sobre o conteúdo das negociações que vão
decorrer esta semana, mas confirmou que os representantes dos Estados
Unidos estão a caminho de Genebra para a reunião agendada para
terça-feira.O secretário de Estado indicou
ainda que o Presidente norte-americano, Donald Trump, privilegia a via
diplomática e mantém abertura para um entendimento pacífico, desde que o
Irão responda às preocupações expressas por Washington.Ainda
assim, Rubio reconheceu que as decisões de Teerão assentam em
“critérios teológicos e não geopolíticos”, o que, no seu entender, reduz
a previsibilidade do processo.Do lado
iraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, afirmou
hoje que o país participará na segunda ronda de negociações nucleares em
Genebra com “iniciativas reais” para alcançar um acordo “justo e
equilibrado”.“O que está absolutamente
fora de questão é ceder às ameaças”, declarou Araqchi, sem detalhar as
propostas que Teerão levará à mesa das negociações.Nos
últimos dias, Trump ameaçou repetidamente lançar um ataque militar
contra o Irão caso não seja alcançado um entendimento, tendo enviado um
segundo porta-aviões para o Médio Oriente.Na
cidade suíça estarão o enviado da Casa Branca (presidência
norte-americana) Steve Witkoff e o genro do Presidente Donald Trump,
Jared Kushner.As negociações indiretas
sobre a questão nuclear iraniana vão ser mediadas por Omã, à semelhança
do que aconteceu a 06 de fevereiro, quando os contactos entre Washington
e Teerão foram retomados em Mascate.O Irão tem reafirmado o direito de enriquecer urânio para fins civis.O
Ocidente e Israel contestam a versão de Teerão, argumentando que não
existe uma justificação civil credível para a escala das ambições
atómicas iranianas.Em paralelo, a Guarda
Revolucionária iraniana, exército ideológico da República Islâmica,
iniciou hoje exercícios navais no estratégico Estreito de Ormuz, por
onde transita uma parte significativa do petróleo mundial, numa
demonstração de força que coincide com o arranque das conversações em
território suíço.