Rubina Leal tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência do parlamento da Madeira
10 de abr. de 2025, 16:45
— Lusa/AO Online
Indicada pelo PSD,
Rubina Leal foi eleita com 39 votos a favor e oito brancos, num universo
de 47 deputados que compõe o hemiciclo madeirense, em eleição com voto
secreto depositado em urna, no decurso da primeira reunião plenária da
XV Legislatura, que decorre das eleições regionais antecipadas de 23 de
março.O PSD venceu o sufrágio com a
eleição de 23 deputados, falhando por um a maioria absoluta, e assinou
um acordo de incidência parlamentar e governativa com o CDS-PP, que
obteve um assento na Assembleia Legislativa.O
acordo assegura a maioria absoluta no parlamento da região, onde estão
representados também o JPP, com 11 deputados, passando a ocupar o lugar
de líder da oposição, o PS com oito, o Chega com três e a IL com um.“A
composição parlamentar resultante do passado dia 23 de março
permite-nos ter um quadro de estabilidade e segurança para encararmos
uma nova legislatura”, disse Rubina Leal, sublinhando que o seu
compromisso é “ser a partir deste momento a presidente de todas as
senhoras deputadas e senhores deputados, sem exceção”.A
deputada social-democrata substitui o democrata-cristão José Manuel
Rodrigues, que ocupava o cargo de presidente do parlamento regional
desde 2019, na sequência de acordos entre o CDS-PP e o PSD, partido que
governa a região desde 1976.Rubina Leal é a
primeira mulher a assumir a presidência da Assembleia Legislativa na
história da autonomia, que já teve cinco presidentes, nomeadamente
Emanuel Rodrigues, Nélio Mendonça, José Miguel Mendonça, Tranquada Gomes
e José Manuel Rodrigues.O plenário
elegeu também dois dos três vice-presidentes do parlamento, nomeadamente
José Prada, indicado pelo PSD, que obteve 35 votos a favor, oito contra
e quatro brancos, e Rafael Nunes, proposto pelo JPP, o maior partido da
oposição, que conseguiu 45 votos a favor, contado com um contra e um
branco.A eleição do terceiro
vice-presidente, indicado pelo PSD, está agendada para 23 de abril,
considerando que se trata de Rafaela Fernandes, atual secretária
regional de Agricultura, Pescas e Ambiente, que se mantém em funções até
à tomada de posse do novo executivo, na terça-feira.A
nova presidente da Assembleia Legislativa da Madeira afirmou que
pretende assumir a liderança da câmara com “a maior imparcialidade e
neutralidade”, vincando que vai respeitar a “individualidade” de cada
deputado e as “idiossincrasias” dos grupos parlamentares.“A
autonomia é quebrar barreiras, é transpor obstáculos, é derrubar muros,
é fomentar a igualdade, é potenciar a inclusão e a justiça social”,
argumentou, realçando que o parlamento “é a casa da palavra livre”, pelo
que “um parlamento democrático não aceita a palavra que fere, que
insulta, que discrimina”. Rubina Leal,
cuja eleição foi aplaudida por todas as bancadas do hemiciclo,
considerou que, em democracia, é tão importante estar no governo como na
oposição e defendeu que “a governação será tanto melhor quanto melhor
for o trabalho de escrutínio das oposições”. O plenário da Assembleia Legislativa da Madeira elegeu também a
secretária da mesa, Clara Tiago (PSD), e as vice-secretárias, Cláudia
Gomes (PSD), Patrícia Spínola (JPP) e Marta Freitas (PS), numa votação
única, com 45 votos a favor, um contra e um branco. No
discurso de despedida, o presidente cessante do parlamento regional,
José Manuel Rodrigues, alertou para a necessidade de “reerguer a
bandeira da autonomia”, considerando que, por várias circunstâncias, “ o
centralismo parece ter regressado aos meandros da República e mesmo da
União Europeia”. “Temos de reforçar a
nossa luta pela autonomia e pelos princípios da subsidiariedade, da
coesão e da descentralização”, afirmou, para logo acrescentar: “Está na
altura (...) de nos unirmos num pacto político que permita uma revisão
da Constituição que amplie os poderes e competências das regiões, que
permita um novo estatuto político-administrativo e que nos traga uma
nova lei de finanças, que reforce a solidariedade nacional, que
possibilite a criação de uma sistema fiscal próprio, que assegure e
cumpra com a continuidade territorial e que garanta que a República
assume os custos da insularidade e da ultraperiferia”. José
Manuel Rodrigues, que na terça-feira assume o cargo de secretário
regional da Economia, no executivo liderado pelo social-democrata Miguel
Albuquerque, sublinhou que a Assembleia Legislativa é o “baluarte da
autonomia e o símbolo maior da emancipação política do povo das ilhas e
dos madeirenses da diáspora”. As
legislativas regionais de 23 de março foram as terceiras realizadas na
Madeira em cerca de um ano e meio, tendo concorrido num círculo único 14
listas: CDU (PCP/PEV), PSD, Livre, JPP, Nova Direita, PAN, Força
Madeira (PTP/MPT/RIR), PS, IL, PPM, BE, Chega, ADN e CDS-PP.O
sufrágio ocorreu 10 meses após o anterior, na sequência da aprovação da
moção de censura apresentada pelo Chega – que a justificou com as
investigações judiciais envolvendo membros do Governo Regional,
inclusive Miguel Albuquerque – e da dissolução da Assembleia Legislativa
pelo Presidente da República.