Rúben Dias critica organizações de futebol na sobrecarga de jogos
Web Summit
15 de nov. de 2024, 12:35
— Lusa/AO Online
“Para
ter um melhor desempenho, é preciso garantir que os atletas estão
seguros, mas poucos querem saber dos atletas, mas sim do aspeto
financeiro e do lucro. Esta época, especialmente, será a mais louca até
ao momento, com o Mundial de Clubes no fim da temporada. Temos de pensar
nos jogadores se queremos um bom espetáculo, dando-nos tempo suficiente
para recarregar baterias e darmos o melhor espetáculo”, realçou.O
jogador dos ingleses do Manchester City encerrou o palco principal da
Web Summit, em Lisboa, num painel denominado “Fazer a diferença, dentro e
fora do campo”, durante o qual abordou as recentes queixas de colegas
de profissão sobre a sobrecarga de encontros.“No
passado, tínhamos um número de jogos normal. Agora estamos bem para lá
desse normal. É cada vez mais desafiante, e nós adoramos superarmo-nos,
mas os adeptos querem um bom espetáculo. Claro que querem muitos jogos,
mas penso que eles nos entendem. Temos de centralizar a questão nos
atletas, pois somos nós que jogamos. Percebemos a indústria que temos à
nossa volta, mas são os nossos corpos que estão em questão. Precisamos
de descansar e respirar”, apelou, sob aplausos dos presentes.O
médio espanhol Rodri, companheiro de equipa em Manchester e
recentemente consagrado como melhor futebolista do mundo, foi um dos
jogadores que já abordou uma possível greve, de forma a “levantar a voz”
e alertar para o problema criado pelas organizações.“Se
tiver de ser, é importante estarmos todos juntos e fazê-lo todos
juntos, como uma outra situação extrema. Se tivermos de levantar a voz e
fazer greve, fazemo-lo. Todos estamos focados no dia a dia agora, mas,
no seu tempo devido, temos de pensar nisso seriamente”, considerou Rúben
Dias, que foi eleito o 23.º melhor futebolista mundial.Durante
o painel, o defesa central explicou igualmente como lida com a pressão
que é inerente à profissão, que, com o passar dos anos, ao mais alto
nível, “torna-se parte” de si e “faz parte do jogo”, com a sua
consistência a significar saber gerir essa pressão.“Sou
muito bom em ignorar. Tudo começa em casa, com o conforto e o amor que
eu tenho. Esse é o meu escape. Depois, o quanto acredito no meu
propósito. Em alturas de stress ou quando as pessoas te tentam mandar
abaixo, é continuar a resistir e a ter bons desempenhos, para quebrar
isso. Tem sido sempre dessa forma, mas não é fácil de lidar algumas
vezes”, apontou o futebolista, de 27 anos, que se encontra lesionado.No
final do painel, e com o encerramento oficial da Web Summit, o
cofundador Paddy Cosgrave e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Carlos Moedas, entregaram a Rúben Dias um galardão de Inovação no
Desporto, atribuído pela cimeira tecnológica.