Rt sobe para 1,09 e pode registar-se sexta vaga de infeções
Covid-19
10 de mar. de 2022, 16:47
— Lusa/AO Online
“Estamos
a ver o desenho de uma sexta vaga de forma muito clara. O risco
pandémico ainda não é muito elevado, mas é necessário perceber como vai
continuar a evolução dos números”, avança a análise elaborada pelo grupo
de acompanhamento da pandemia do IST que a Lusa teve acesso.Segundo
o documento, o agravamento da situação pandémica deve-se à linhagem
BA.2 da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, que já é a dominante
em Portugal e que apresenta “alguma taxa de reinfeção”, ao levantamento
das restrições e à diminuição da proteção vacinal, “que se começa a
fazer sentir”.O
Rt - que estima o número de casos secundários de infeção resultantes de
cada pessoa portadora do vírus - “está acima de 1, com tendência de
subida”, refere o relatório elaborado por Henrique Oliveira, Pedro
Amaral, José Rui Figueira e Ana Serro, que compõem este grupo de
trabalho coordenado pelo presidente do IST, Rogério Colaço.De
acordo com os dados do IST, este indicador é superior ao limiar de 1
desde 08 de março e apresenta uma “subida acentuada” em todas as regiões
do país, com exceção dos Açores, onde está estável.Face
a estes dados, os especialistas do IST apontam para uma tendência de
aumento dos internamentos em enfermaria e em unidades de cuidados
intensivos nos próximos 15 dias, enquanto os óbitos, que atingiram o
pico da recente vaga em 06 de fevereiro, poderão ainda registar uma
“ligeira subida”, indicador que reage sempre com atraso em relação aos
restantes.“Neste
ponto, não temos razões para crer num aumento muito forte da gravidade,
mas esta subida vai certamente ocorrer - ainda de forma moderada - com o
atraso entre sete e 14 dias decorrente da dinâmica das diferentes
variáveis”, salienta o documento.Segundo
o IST, a letalidade global está agora nos 0.189% em média a sete dias,
um valor ainda baixo, mas “cuja subida revela uma redução da cobertura
imunitária”, enquanto a letalidade do grupo dos idosos com mais de 80
anos “está de novo a subir, estando agora em 3.1%.Já
com os dados de quarta-feira, o indicador de avaliação da pandemia
(IAP) elaborado pelo IST e pela Ordem dos Médicos (OM) - que combina a
incidência, a transmissibilidade, a letalidade e a hospitalização em
enfermaria e em cuidados intensivos – subiu novamente e está agora nos
83.2 pontos, acima do nível de alarme.O
IAP, que inclui a análise da pressão da pandemia sobre os serviços de
saúde, apresenta dois limiares: o nível de alarme, quando atinge os 80
pontos, e o nível crítico, quando chega aos 100 pontos.Na
recente vaga pandémica que atingiu Portugal no início do ano o
indicador do IST e da OM atingiu o máximo de 105.8 pontos em 24 de
janeiro.“Deve
ser mantida a monitorização, todas as medidas em vigor devem ser
mantidas sem relaxamento e deve ser indicado à população que é
necessário tomar cuidados individuais, nomeadamente quando o indicador
IAP, que mede a gravidade, está em nível de alerta com forte tendência
de subida e a proteção imunitária está, segundo a evidência recolhida, a
descer”, recomenda o relatório.