Roupeiro viu Bas Dost e Misic a serem agredidos com um cinto
Sporting
15 de jan. de 2020, 12:19
— Lusa/AO Online
A
testemunha foi ouvida presencialmente na 19.ª sessão do julgamento da
invasão à academia ‘leonina’, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, com
44 arguidos, incluindo o antigo presidente do clube Bruno de Carvalho,
que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.O
roupeiro declarou que, após o ataque, o estado de espírito era de
“raiva e com um sentimento de revolta”, além de os profissionais do
Sporting ficarem “tristes e assustados”.João
Reis explicou que um dos elementos atingiu Bas Dost na cabeça, quando o
futebolista holandês se encontrava no corredor de acesso ao balneário,
acrescentando que, na sequência da agressão, “a fivela do cinto partiu e
caiu ao chão”.Já no balneário, o roupeiro contou que o jogador Misic foi atingido “na cara” também com um cinto.“Fiquei
com a ideia de que era o mesmo indivíduo, pois o cinto já não tinha a
fivela”, afirmou a testemunha, sublinhando ter visto ainda o então
preparador físico Mário Monteiro com a camisola queimada, por ter sido
atingido com uma tocha lançada pelos invasores.Ainda
no interior do balneário, viu o jogador William Carvalho dizer para um
dos elementos “eu conheço-te, eu conheço-te”, além de empurrões, gritos e
palavras de ordem como “vocês são uma vergonha, tirem a camisola” ou
“não ganhem no domingo que vocês vão ver”, em alusão à final da Taça de
Portugal entre o Sporting e o Desportivo das Aves, que se realizou no
domingo seguinte, 20 de maio, e que o clube ‘leonino’ perdeu por 1-0.João
Reis afirmou que ouviu alguém perguntar pelo jogador Acuña, dando conta
de que entraram no balneário entre “20 a 30 elementos encapuzados”.A
testemunha, que inicialmente estava na rouparia, relatou que Rolan
Duarte, elemento do ‘staff’ do Sporting, lhe telefonou para que fechasse
as portas da academia, pois estavam a entrar adeptos.O
processo, que está a ser julgado no Tribunal de Monsanto, em Lisboa,
tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada,
de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes
de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.Bruno
de Carvalho, à data presidente do clube, ‘Mustafá’, líder da Juventude
Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting,
estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada,
de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes
de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.Os
três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida
agravado e ‘Mustafá’ também por um crime de tráfico de estupefacientes.