Rota dá a conhecer em Ponta Delgada a história da meteorologia
18 de abr. de 2018, 14:30
— Lusa/AO online
"Os
Açores são a nível mundial conhecidos por causa das situações que
ocorrem aqui a nível meteorológico, muitas delas depois vão para a
Europa, aliás, o anticiclone dos Açores põe os Açores no mapa há muito
tempo", afirmou à Lusa Maria Emanuel Albergaria, responsável pela equipa
do Património Cultural e Material da Coleção de Etnografia Regional do
Museu Carlos Machado.A
rota "Santa Maria à vista, água na crista", um adágio popular,
insere-se nas iniciativas do museu (em Ponta Delgada, na ilha de São
Miguel) para a comemoração do Dia Internacional dos Monumentos em
Sítios, que se celebra hoje com o tema "Património Cultural: de geração
em geração" e que vai ser assinalado nos Açores com iniciativas da
Direção Regional da Cultura.O
percurso desta rota inicia-se às 10:00 na Fajã de Cima, no antigo
Observatório Magnético de São Miguel, e termina no Observatório Afonso
Chaves, no Relvão, onde está instalado o Instituto Português do Mar e da
Atmosfera (IPMA), pelas 16:00.Os
participantes nesta atividade, que conta com os meteorologistas
Fernanda Carvalho e Diamantino Henriques, responsável pela delegação dos
Açores do IPMA, são convidados a levar almoço para um piquenique nos
jardins do Observatório do Relvão. "O
antigo Observatório Magnético e Sismológico da Fajã de Cima é um
edifício que é património do Estado e que se encontra abandonado. Foi
mandado construir pelo coronel Afonso Chaves, que foi diretor do Museu
Carlos Machado e um importante meteorologista de São Miguel", explicou
Maria Emanuel Albergaria. Naturalista açoriano, Francisco Afonso Chaves (1857-1926) dedicou-se também ao estudo da meteorologia."O
Museu Carlos Machado, detentor do espólio fotográfico de Afonso Chaves,
associa-se ao IPMA na organização desta rota patrimonial, que visa dar a
conhecer algumas características meteorológicas da região e divulgar
lugares que lhes estão associados, além de alertar os cidadãos para
questões emergentes do clima", sublinhou, acrescentando que a
instituição "é detentora do espólio" do cientista, com "cerca de 7.000
fotografias sobre reportagens, entre as quais a vinda do Rei D. Carlos e
da Rainha D. Amélia em 1901 e até das viagens que fazia pela Europa". Segundo
a responsável, esta rota "é uma novidade", porque "há uma certa
iliteracia relativamente às questões da meteorologia, atmosfera e clima,
pelo que, e especificamente para os açorianos, é importante que estes
possam ter a noção destas matérias que influenciam o dia-a-dia do
arquipélago".O
museu realiza ainda hoje na escola EBI/JI de Fenais da Luz, em São
Miguel, a oficina pedagógica “Viagem pelas Nuvens”, com o comandante
João Albergaria, da transportadora aérea Sata, para crianças do 3.º e do
4.º ano.Trata-se
de uma atividade inserida no projeto “Fenais da Luz – Comunidade em
Foco”, com o intuito de sensibilizar para a importância da meteorologia e
do conhecimento dos fenómenos atmosféricos e do clima.No
dia 22 realiza-se a rota patrimonial “Passo a passo, pelo povoado das
Sete Cidades”, organizada pela Loja Eco-Atlântida (Cresaçor e Associação
Juventude da Candelária).