Jorge Barros e Pedro Barros apresentam “Romeiros da Fraternidade”
1 de dez. de 2024, 09:20
— Susete Rodrigues
A apresentação da obra
será realizada por Onésimo Teotónio Almeida, prefaciador do livro, bem
como por Pedro Barros, filho do autor e responsável por “não só apoiar o
pai na edição deste livro, mas também por recolher imagens
complementares enriquecedoras”, indica nota de imprensa.“Romeiros da
Fraternidade” é o resultado de décadas de dedicação do fotógrafo Jorge
Barros a documentar toda a romaria dos diversos ranchos de romeiros na
ilha de São Miguel, que percorrem trilhos, caminhos e estradas à volta
da ilha até ao pôr-do-sol, sujeitos a intempéries várias, durante a
Quaresma.Para Jorge Barros, as romarias são “uma manifestação única
em São Miguel e no mundo: além da evocação dos percursos em todos os
concelhos da ilha, sempre com exemplar respeito pelo ambiente ao longo
dos caminhos e veredas, esta obra retrata igualmente uma união fraterna
de homens com espírito solidário”, disse citado em comunicado.Desde
que teve contacto com a obra “Romeiros – Peregrinos de Hoje”, de Álvaro
Resende, com texto de Teixeira Dias, no ano de 1987, que Jorge Barros
ficou interessado nesta manifestação cultural quaresmal, praticamente
exclusiva de São Miguel.Recorde-se que, durante uma semana, por
ocasião da Quaresma, saem ranchos de romeiros de quase todos os
concelhos da ilha de São Miguel, que caminham - no sentido dos ponteiros
do relógio - a rezar e a cantar, parando em cada ermida e igreja que
encontrem no caminho, havendo, igualmente momentos de confraternização,
nas pausas para comerem e descansarem. E é “esta aura de mistério que
fascina o fotógrafo”.Facilmente se reconhece um rancho de romeiros,
dado que envergam, um xaile sobre os seus ombros, com os lenços
coloridos ao pescoço ou na cabeça. Transportam o bordão - sempre do lado
de dentro do rancho - e o seu terço na mão e também ao pescoço.De
referir que os ranchos de romeiros começam a caminhar de madrugada,
sendo que as missas de partida e chegada são sempre momentos emotivos e
de saudades.O que mais emociona Jorge Barros em toda esta jornada é o
acolhimento que os romeiros recebem aquando das pernoitas, seja em casa
de famílias ou em pavilhões, onde lhes são oferecido ou um quarto para
dormir, ou “uma bacia com água quente com sal para lavar e aliviar as
dores dos pés, tratar as feridas e uma refeição, em troca de
agradecimentos e orações aos benfeitores”. Tal pernoita, na perceção
do fotógrafo, “traduz um sublime ato de fraternidade e comunhão para
com os irmãos romeiros”, finaliza o comunicado.