Rochele Nunes frustrada com 'adeus' prematuro no 'golden score'
Judo/Europeus
20 de abr. de 2026, 09:38
— Lusa/AO Online
“Acho que
fiz até um bom combate diante de todos, nessa minha terceira prova de
regresso. Mas custa um bocado perder assim. Ali foi algo que a gente
realmente tinha treinado. Nem foi um erro, foi um acerto dela”, explicou
à agência Lusa a judoca, que compete em +78 kg. Rochele
Nunes perdeu no ‘golden score’ [prolongamento] do seu primeiro combate,
diante da estónia Emma Aktas, uma judoca de 18 anos que foi quinta nos
Mundiais do último ano e que hoje também eliminou a campeoníssima
francesa Romane Dicko (cinco títulos).“Ela
é uma atleta nova, não tão experiente como eu, mas tem tido resultados
bons. Tanto que avançou hoje também na prova, perdeu a meia-final. Foi
quinta no Campeonato do Mundo, acho, no ano passado. Sabia que não seria
uma adversária fácil. Mas fico um bocado triste e chateada perante a
minha missão. Porque é sempre chegar aqui e disputar medalhas e estar no
pódio”, defendeu.A judoca do Benfica
acrescentou que está numa “nova etapa” da carreira, “num novo ponto de
partida”, mas que há tempo para lutar pelo apuramento olímpico para Los
Angeles2028, que ainda não começou, e com a vontade de “avançar mais nas
provas”.Diogo Brites também caiu diante
do estónio Karl Turk, e o seu adversário protagonizou, igualmente, uma
das surpresas do dia, ao eliminar na ronda seguinte o primeiro cabeça de
série, o neerlandês Jur Spijkers.“A
realidade é que não foi uma participação boa. Perdi no primeiro combate.
Isso é sempre... é mau. A verdade é que é mau. Ele esteve melhor do que
eu. Mesmo que tivesse perdido nos quartos, para mim também seria mau.
Porque o objetivo é... vimos sempre para as medalhas, não é?”, disse no
final o judoca.Brites esteve na sua quarta
competição internacional na categoria de +100 kg, para a qual subiu há
cerca de meio ano, e, diante de Turk, perdeu no último dos quatro
minutos, com uma desvantagem de waza-ari, após uma imobilização.“Esta
foi a minha terceira ou quarta prova oficial de circuito, a +100 kg.
Duas correram bem. As outras duas, o nível maior, mais exigência. Não
tive resultados tão bons, não cheguei à medalha. Isto é sempre
experiência. Acho que é sempre isto. É sempre experiência, mas o
objetivo é sempre ser melhor”, referiu.Desde
2016, é a primeira vez que Portugal não sobe ao pódio em Europeus,
depois de ter conquistado medalhas consecutivas em nove edições, pelas
já retiradas Joana Ramos e Telma Monteiro, mas também por Jorge Fonseca,
Patrícia Sampaio, Catarina Costa, João Crisóstomo, Rochele Nunes e
Bárbara Timo.Em Tblissi, com exceção das
olímpicas Rochele e Timo, a seleção portuguesa apresentou-se muito
desfalcada, em especial perante as ausências de Patrícia Sampaio (-78
kg), campeã europeia em título, e de Catarina Costa (-48 kg),
vice-campeã.Sampaio, medalha de bronze
olímpica em Paris2024, sofreu em fevereiro uma rotura ligamentar num
joelho, e Catarina Costa, que tem quatro medalhas em Europeus, três das
quais de prata, recupera de uma cirurgia ao cotovelo.Outro
grande ausente, por lesão, foi Jorge Fonseca (-100 kg), bronze olímpico
em Tóquio2020 e bicampeão mundial em 2019 e 2021, bem como os olímpicos
Taís Pina (-70 kg), lesionada numa mão, e João Fernando (-81 kg).