Riscos relacionados com o calor em níveis críticos em Portugal e sul da Europa
10 de mar. de 2024, 23:01
— Lusa
“Algumas regiões da
Europa são pontos críticos de múltiplos riscos climáticos. O sul da
Europa está particularmente exposto ao risco de incêndios florestais e
aos impactos do calor e da escassez de água na produção agrícola, no
trabalho ao ar livre e na saúde humana”, elenca a Agência Europeia do
Ambiente (EEA) na primeira avaliação europeia sobre os riscos
climáticos.No relatório, que identifica 36
riscos climáticos na União Europeia (UE), é indicado que “os riscos
relacionados com o calor já atingiram níveis críticos no sul da Europa”,
dadas as elevadas temperaturas “mais frequentes e mais intensas” nesta
região, que abrange países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia.Dados
da EEA apontam que três dos oito riscos na categoria de urgência máxima
atingem elevada gravidade no sul da Europa, estando em causa fenómenos
como vagas de calor e seca.“Este
aquecimento [atmosférico], bem como os seus efeitos mais potentes nos
grupos mais idosos, expõe uma maior parte da população ao ‘stress’
térmico, especialmente no sul e no centro-oeste da Europa”, acrescenta a
agência europeia.No verão de 2022, por
exemplo, entre 60 mil e 70 mil mortes prematuras na Europa foram
atribuídas ao calor, apesar dos investimentos consideráveis em planos de
ação sanitários relacionados com o calor.“As
temperaturas mais quentes também facilitam o movimento para norte dos
vetores de doenças e a sua propagação para altitudes mais elevadas. O
sul da Europa está agora suficientemente quente para que os mosquitos
transmitam doenças anteriormente tropicais”, alerta a agência europeia.Segundo
esta primeira avaliação de sempre dos riscos climáticos na UE, “as
políticas e ações de adaptação da Europa não estão a acompanhar o ritmo
do rápido crescimento dos riscos”.“Em
muitos casos, a adaptação não será suficiente e, como muitas medidas
para melhorar a resiliência climática exigem um longo período de tempo,
poderá ser necessária uma ação urgente mesmo em relação a riscos que
ainda não são críticos”, indica ainda o relatório.As
alterações climáticas, acentuadas pelas ações humanas, estão a afetar o
planeta e, globalmente, 2023 foi o ano mais quente de que há registo,
com a temperatura média global entre fevereiro de 2023 e janeiro de 2024
a exceder os níveis pré-industriais em 1,5ºC.A Europa é o continente que regista o aquecimento mais rápido do mundo.