O
Inquérito às Condições de Vida e Rendimentos do INE realizado em 2022,
sobre rendimentos do ano anterior, revela também que cerca de dois
milhões de pessoas encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão socialA
taxa de pobreza ou exclusão social (pessoas em risco de pobreza ou
vivendo em agregados com intensidade laboral per capita muito reduzida
ou em situação de privação material e social severa), foi 19,4%, menos
três pontos percentuais (p.p.) do que no ano anterior indicam os dados
do INE. Segundo o INE, a diminuição da
pobreza abrangeu todos os grupos etários, embora tenha sido mais
significativa para a população idosa (menos 3,1 p.p.).O
risco de pobreza dos menores de 18 anos diminuiu 1,9 p.p. e o dos
adultos em idade ativa 1,6 p.p., precisam os dados, explicando que “a
taxa de risco de pobreza correspondia, em 2021, à proporção de
habitantes com rendimentos monetários líquidos anuais (por adulto
equivalente) inferiores a 6.608 euros (551 euros por mês)".De
acordo com o INE, o risco de pobreza diminuiu tanto para a população
empregada, de 11,2% em 2020 para 10,3% em 2021, como para a população
desempregada, de 46,5% em 2020 para 43,4% em 2021.Apesar
de em geral o risco de pobreza ter diminuído para todos os agregados
familiares, as famílias constituídas por dois adultos e duas crianças
viram o seu risco de pobreza aumentar de 11,8% para 12,8%.As
transferências sociais, relacionadas com doença e incapacidade,
família, desemprego e inclusão social contribuíram para a redução do
risco de pobreza em 5,1 p.p. (de 21,5% para 16,4%), um contributo
superior ao do ano anterior (4,6 p.p.).A
desigualdade também diminuiu em 2021, refere o INE, adiantando que o
Coeficiente de Gini (indicador habitualmente utilizado para sintetizar o
grau de desigualdade de uma distribuição de rendimentos) registou um
valor de 32%, menos um ponto percentual do que em 2020 (33,0%), e o
rácio S80/S20, que compara a soma do rendimento monetário líquido
equivalente dos 20% da população com maiores recursos com a soma do
rendimento monetário líquido equivalente dos 20% da população com
menores recursos, diminuiu, de 5,7 em 2020 para 5,1 em 2021. “Este
comportamento pode ser explicado pela evolução dos decis da
distribuição dos rendimentos: Apenas os 30% das pessoas com menores
rendimentos registaram um aumento dos rendimentos monetários líquidos
entre 2020 e 2021”, sublinha o INE.Em
2021, considerando o limiar de pobreza nacional, o risco de pobreza
diminuiu nas regiões Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa e
Alentejo e aumentou na região do Algarve (mais 0,5 p.p.) e nas regiões
autónomas (mais 3,2 p.p. na Região Autónoma dos Açores e mais 1,7 p.p.
na Região Autónoma da Madeira). "Enquanto a
taxa de risco de pobreza na Área Metropolitana de Lisboa era
substancialmente inferior ao valor nacional - 10,4%, ou seja, menos 6,0
p.p. do que a taxa de risco de pobreza nacional -, o Algarve e as
regiões autónomas dos Açores e da Madeira registavam taxas de risco de
pobreza de 22,1%, 25,1% e 25,9%, respetivamente, bastante superiores ao
valor nacional", referem os dados.