Risco de morrer é maior do que antes da pandemia e não é só pelo envelhecimento
28 de mar. de 2023, 11:45
— Lusa/AO Online
No
Relatório de Monitorização da Mortalidade de 2022, divulgado, o
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) diz que o
aumento do risco de morrer relativamente aos anos pré-pandemia “não
parece explicado pelo envelhecimento populacional, que até 2019 parecia
ser o principal fator associado ao aumento da taxa bruta de
mortalidade”.Os peritos do INSA referem
que, com os dados disponíveis, não é possível saber se o aumento do
risco de morte é totalmente explicado por eventos como os picos de
gripe, covid-19 e períodos de calor e frio extremos ou se “outros
fatores associados à pandemia” poderão ter contribuído indiretamente
para o aumento da mortalidade ou para potenciar o efeito dos restantes
fatores.Para responder a estas questões, o
INSA diz que é necessário conhecer as causas de morte específicas
durante o período da pandemia, “identificando potenciais diferenças em
relação ao período pré-pandemia”, de modo a que seja possível
“identificar os fatores determinantes associados às potenciais variações
encontradas nas principais causas de morte”.Os
autores do relatório dizem ainda que, ao contrário do que se observava
antes da pandemia, “a taxa de mortalidade padronizada aumentou a partir
de 2020 e ainda não regressou aos valores pré-pandemia”.O
documento diz que foram observados períodos de excesso de mortalidade
por todas as causas, “de duração e magnitude variável”, em todas as
regiões de saúde, sendo que os períodos ocorridos no verão foram os que
atingiram um maior número de regiões.A
região Norte foi aquela na qual se observou um maior número de semanas
com excesso de mortalidade, distribuídas por quatro períodos ao longo do
ano 2022. O Alentejo, Algarve e Açores
foram as regiões nas quais se observou um menor número de semanas com
excesso de mortalidade, refere o INSA, que salienta que as regiões
autónomas apresentam geralmente um menor número de períodos de excesso
de mortalidade relativamente às regiões de Portugal Continental,
“provavelmente pelo menor efeito dos fenómenos climáticos extremos”,
pelo que – sublinha - “o padrão de mortalidade deste ano é distinto do
habitualmente observado nas Regiões Autónomas”.Em
todas as regiões de saúde, comparando a mortalidade por todas as causas
e a mortalidade por todas as causas excluindo os óbitos por covid-19,
verifica-se que na primeira metade do ano vários dos períodos de excesso
de mortalidade “não teriam sido identificados ao excluir a mortalidade
por covid-19”, o que indica que a covid-19 terá sido um dos principais
fatores a contribuir para o excesso de mortalidade até julho.No
entanto, no segundo semestre de 2022, o relatório indica que os
excessos de mortalidade se mantêm, mesmo excluindo os óbitos por
covid-19. Esta situação – refere o INSA – “sugere a existência de outros
fatores responsáveis pelos excessos de mortalidade observados” na
segunda metade do ano.O relatório de
monitorização da mortalidade, que analisou o período 03 de janeiro de
2022 e 01 de janeiro deste ano, aponta para 124.602 óbitos em Portugal
(124.909, considerando o ano civil de 2022) e um excesso de 6.135
mortes.Do total de óbitos, 42.790 foram
registados na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) e 55.368 no grupo
etário com 85 e mais anos de idade.A
semana do ano em que menos se morreu (1.919 óbitos) foi entre 26 de
setembro e 02 de outubro. Ao contrário, aquela com valor máximo de
mortos foi a de 12 a 18 de dezembro (2.919).