Rio rejeita interferir e diz que atitude do Chega prova importância de “voto útil” no PSD
17 de nov. de 2021, 20:27
— Lusa/AO Online
No final da apresentação de um livro
organizado pelo Conselho Estratégico Nacional do PSD sobre reforma
fiscal, Rio foi questionado sobre o anúncio feito pela direção
nacional do Chega de que pediu ao Chega Açores para retirar o apoio
ao Governo regional, acabando com o acordo de incidência
parlamentar, em resposta à rejeição pelo presidente do PSD de
acordos pós-eleitorais a nível nacional com o partido.
“O que existe nos Açores é um
acordo regional, não tem nada a ver com a escala nacional. Eu não
me misturo nisso, é uma matéria que vai ser decidida pelas
autoridades regionais”, afirmou.
Rui Rio afirmou não ter falado com o
líder do Chega, André Ventura, mas apenas com o líder do
PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, que disse estar “apesar de tudo
confiante” na resolução da crise.
O presidente do PSD reiterou que, a
nível nacional, tem rejeitado quaisquer coligações com o Chega pré
ou pós-eleitorais e, uma vez que André Ventura só admite acordos
com o partido no Governo, “há uma incompatibilidade”.
“A conclusão que posso tirar é que
isto vai ter de se resolver nas eleições de 30 de janeiro: ou há
uma concentração de voto no PSD, que é útil para a estabilidade
do país, ou se houver uma grande fragmentação o país fica em
situação de governabilidade difícil”, alertou.
“À primeira oportunidade, criam logo
instabilidade”, afirmou.
Questionado se se está perto de uma
queda do Governo Regional dos Açores, Rio respondeu: “A informação
que tenho é que não”.
A Assembleia Legislativa dos Açores é
composta por 57 deputados: 25 do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois
do PPM, dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega
e um deputado independente (eleito pelo Chega).
No arquipélago, PSD, CDS-PP e PPM, que
juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação.
A coligação assinou ainda um acordo
de incidência parlamentar com o Chega e o PSD um acordo de
incidência parlamentar com a IL. O deputado não inscrito Carlos
Furtado manteve o apoio ao Governo dos Açores.
Se o deputado único do Chega, José
Pacheco, deixar de apoiar o executivo, este passa a contar com o
apoio de 28 deputados, insuficiente para garantir maioria absoluta no
hemiciclo (29).
Além disso, o deputado único da
Iniciativa Liberal, Nuno Barata, revelou em 05 de novembro que o seu
sentido de voto não está fechado, mesmo depois de o Governo
Regional ter reduzido o nível de endividamento previsto no Orçamento
e no Plano para 2022, tal como tinha exigido o parlamentar.