Rio questiona se salários vão ser atualizados pela inflação, Costa remete para “avaliação” com parceiros
Governo
7 de abr. de 2022, 16:13
— Lusa/AO Online
Na
sua primeira intervenção no debate do Programa do XXIII Governo
Constitucional, Rio disse querer tocar nos pontos que separaram os dois
partidos na última campanha eleitoral, como a TAP, a questão fiscal ou a
política de rendimentos.Rio recordou que o
PSD defendeu a subida do Salário Mínimo Nacional (SMN) de acordo com a
inflação e a produtividade, mas alertou que o Governo fixou, no seu
programa, um valor para de 900 euros em 2026 para o SMN.“Rendeu
votos seguramente, porque parece muito dinheiro, mas a inflação em
Portugal já passou 5% em Portugal e 7% na zona euro”, avisou,
questionando se o executivo vai ou não atualizar este valor se
necessário.“Se não ajustar, tiramos uma
conclusão óbvia: enganou as pessoas. Independentemente de alguns até
gostarem de ser enganados”, concluiu.Na
mesma linha, Rio quis saber se o Governo prevê atualizar os aumentos
previstos de 0,9% para a função pública, alertando que se o Governo
levar em conta a inflação e a produtividade inscritas no Programa de
Estabilidade terá de haver aumentos de “10,7% só no próximo ano”.Na resposta, o primeiro-ministro disse ser necessário “compreender bem a natureza deste período inflacionista”.“É
uma inflação importada que tendencialmente tem uma natureza conjuntural
e causas bem precisas. A melhor forma de proteger o poder de compra das
famílias é atacar os problemas pela raiz”, afirmou, dizendo que é isso
que o Governo está a fazer com medidas em áreas como a energia, rações
de animais ou fertilizantes.“Como é que
devemos ajustar a política de rendimentos? É algo que temos de ir
acompanhando e negociando com os parceiros sociais ao longo deste ano”,
perguntou e respondeu António Costa.O
primeiro-ministro recordou a condição de economista de Rui Rio para
salientar que o risco a evitar “é a contaminação ao conjunto da economia
por via da ilusão do aumento salarial deste aumento inflacionista”.“Se
se confirmar a natureza iminente conjuntural desta tensão
inflacionista, como afirmam várias instituições internacionais, temos de
olhar para a política de rendimentos do próximo ano não à luz da tensão
ocasional deste ano, mas à luz do que tem de ser o poder de compra que,
sustentadamente, temos de garantir às famílias portuguesas, evitando
qualquer espiral de inflação”, defendeu António Costa.Sobre
a TAP, Rio acusou a transportadora aérea de ser “uma empresa regional”,
mas que todos pagam no país, invocando o corte de sete rotas e menos
700 mil lugares a partir do Porto.“A TAP é
uma empresa que desde o 25 de Abril tem andado de mão estendida e
recentemente recebeu 3,2 mil milhões de euros, numa orgia financeira que
dá, em média, 320 euros por cada português”, criticou.Na
resposta, o primeiro-ministro contrapôs que, face ao ano passado, a TAP
duplicou o número de voos a partir do Porto, dizendo que o líder do PSD
está a comparar os voos atuais com os do verão de 2019.Quanto
ao anúncio hoje feito por António Costa, que o Governo irá aplicar nos
combustíveis “uma redução de ISP equivalente à redução do IVA para 13%”,
Rio desafiou o executivo a fazer esta descida com base nos preços do
crude em janeiro de 2021 (data de entrada em vigor do Orçamento do
Estado).“O Governo está desde janeiro de
2021 a ganhar com o IVA (…) Porque é que não reduz o ISP à data em que o
petróleo começou a subir e só o faz a partir de outubro? Se não o
fizer, vai continuar a ganhar com o preço dos combustíveis, embora possa
ganhar um bocadinho menos”, questionou.António
Costa recordou que esta é uma medida que o Governo quer aplicar de
forma temporária, enquanto aguarda autorização da Comissão Europeia para
reduzir o IVA dos combustíveis para a taxa intermédia de 13%.“Enquanto
não temos resposta, o que vamos fazer desde já é baixar o ISP para que
contribuinte tenha exatamente a mesma poupança que teria se tivesse essa
redução de dez pontos percentuais na taxa do IVA (…) Prometer aos
portugueses que vai haver aumento zero nos combustíveis não é honesto
nem antes nem depois das eleições”, justificou António Costa.