Rio disponível para “conversar” com PS sobre viabilização de governo se perder
Legislativas
11 de nov. de 2021, 11:08
— Lusa/AO Online
Em entrevista à
RTP3, na quarta-feira à noite, Rui Rio afirmou que, se vencer as
diretas para a liderança do PSD e as legislativas, estará disponível
para “negociar à esquerda e à direita” para a viabilização do seu
governo, considerando que “é dificílimo” qualquer um dos partidos ter
maioria absoluta.“Se nós ganharmos estou
disponível para negociar à minha esquerda, leia-se PS, ou à minha
direita, leia-se CDS e IL. Com CDS e IL, pode ser pela integração de
membros desses partido no Governo, com o PS não é integração de membros
do PS no Governo - isso seria Bloco Central e não vejo necessidade e até
podia ser perigoso -, mas acho que deve haver negociação para
conseguir-se governabilidade”, defendeu.Questionado
se, caso os socialistas vençam sem maioria, “o seu PSD” viabilizará um
Governo do PS, Rio admitiu esse cenário, embora recusando qualquer
possibilidade de integrar como vice-primeiro-ministro um executivo
socialista.“O meu PSD está disponível para
conversar com o PS, até porque senão o que acontece - não por culpa do
PS, mas por culpa minha - é atirar com o PS para cima do PCP e do BE.
Não percebo quem critica tanto o dr. António Costa ter-se encostado
tanto ao PCP e ao BE, mas que diz que ‘comigo não conversa’”, afirmou,
numa crítica ao seu opositor interno Paulo Rangel.À
pergunta se se deve voltar ao cenário pré-2015, em que o partido
vencedor tem o benefício da dúvida, Rio considerou que “é o normal” que
“humildemente” PS e PSD possam reconhecer mutuamente a vitória de um ou
de outro.“Nós vamos a eleições, um ganha,
outro perde, um fica em primeiro, outro em segundo. O que o país exige é
que, no limite se não houver outra solução, não vamos ficar com um
Governo de gestão seis meses à espera que a Assembleia possa voltar a
ser dissolvida”, afirmou. Rio considerou
mesmo que “o pior cenário” que pode sair das legislativas de 30 de
janeiro é que PS e PSD tenham uma posição “igual à de António Costa” na
atual legislatura, que acusou de se ter colocado nas mãos de PCP e BE ao
recusar falar com o PSD.“Se o dr. António
Costa insistir em fazer isso e o PSD insistir em fazer isso também - e o
meu adversário diz que é isso que faz - o país fica na
ingovernabilidade”, advertiu.Ainda em
matéria de cenários de governação, Rio admitiu que, se o PSD ficar em
segundo, mas consiga uma maioria parlamentar com CDS-PP e IL, se forme
uma ‘geringonça’ à direita, excluindo o Chega.“Nesse
caso, tinha a obrigação de tentar conseguir isso com CDS e IL, se
concordei com o que se fez nos Açores, também teria de concordar”,
disse.Questionado se exclui o Chega por
este ainda não se ter moderado - linha que tinha defendido no passado - ,
Rio defendeu que sempre retirou o partido liderado de André Ventura de
uma coligação governativa pré ou pós-eleitoral.“Como o Chega diz que não há apoio do Chega se não houver ministros dele no Governo, o problema desapareceu”, afirmou.