Rio confirma que deixará liderança do PSD e quer sair até início de julho
Legislativas
4 de fev. de 2022, 11:17
— Lusa/AO Online
“Eu não abandono (…) Acho
que o razoável é o partido resolver este assunto no primeiro semestre,
até ao início de julho. Se quiserem antecipar ainda mais pode-se
antecipar ainda mais”, afirmou Rui Rio, em declarações aos jornalistas,
no final de uma reunião da Comissão Política Nacional que durou mais de
quatro horas.Rui Rio reiterou que não “vê
utilidade” em levar até ao fim o seu mandato, que terminaria em dezembro
de 2023, e assegurou que não será recandidato nas próximas eleições
diretas, cuja marcação remeteu para o Conselho Nacional do partido, que
se irá reunir a 19 de fevereiro, em Barcelos (Braga).“O
Conselho Nacional deverá decidir a data em que quer realizar as
próximas diretas, que terão de ser antecipadas e, em minha opinião sem
ter de andar a fazer isto à pressa, deverão estar resolvidas no primeiro
semestre deste ano, o mais tardar no início de julho”, afirmou.Fonte
da direção esclareceu mais tarde que a direção não irá levar qualquer
proposta de calendário à reunião de Barcelos, destinada a discutir os
resultados das legislativas de domingo, embora o Conselho Nacional -
órgão máximo entre Congressos - possa decidir marcar logo nessa data as
próximas eleições diretas ou optar por fazê-lo numa outra reunião
posterior.“Eu aceito mais ou menos
qualquer data dentro do limite do razoável, o razoável é resolver este
problema até final do primeiro semestre ou início de julho. Também não
gostava de ver tudo atabalhoado em cima umas coisas das outras, mas se
quiserem também pode ser”, afirmou.Rio
salientou que o tempo que falta até às próximas legislativas -
previsivelmente em outubro de 2026 - é mais do que o mandato que já leva
como presidente do PSD, quatro anos. “Se
eu admitisse ser outra vez candidato a primeiro-ministro, podia fazer
esse caminho de cinco anos. Não havendo nenhum objetivo a prosseguir, o
Conselho Nacional deverá decidir a antecipação dessas eleições”,
afirmou.Questionado se algum potencial
candidato à liderança do PSD lhe pediu para ter mais tempo para se
reorganizar, Rio assegurou que ninguém lhe pediu nada.“Sou
eu a dizer com equilíbrio, sensatez e sentido de responsabilidade que
não faz sentido sair em 30 dias e resolver isto de qualquer maneira”,
afirmou.De acordo com os resultados
provisórios das legislativas de domingo (e que ainda não incluem os
quatro deputados eleitos pela emigração), o PSD conseguiu 27,8% dos
votos e 71 deputados sozinho, subindo para 76 deputados e cerca de 29%
do total dos votos somando os valores obtidos nas coligações de que fez
parte na Madeira e dos Açores.Ainda assim,
quando se somarem os deputados da emigração, o PSD deverá ficar abaixo
dos 79 que tem atualmente e ficou a quase 14 pontos percentuais do PS,
que obteve a segunda maioria absoluta da sua história.Na
noite de domingo, Rui Rio já tinha aberto a porta à saída da liderança
do PSD, cargo que ocupa desde janeiro de 2018, caso se viesse a
confirmar a maioria absoluta do PS nestas eleições legislativas (o que
aconteceu), considerando que dificilmente seria útil nessa conjuntura.