Ricardo Salgado acusado de 65 crimes incluindo associação criminosa
BES
15 de jul. de 2020, 09:19
— Lusa/AO Online
Segundo a acusação, a que a agência Lusa teve
acesso, Ricardo Salgado foi acusado de um crime de associação criminosa,
em coautoria com outros 11 arguidos, incluindo os antigos
administradores do BES Amílcar Pires e Isabel Almeida.Está
também acusado da autoria de 12 crimes de corrupção ativa no setor
privado e de 29 crimes de burla qualificada, em coautoria com outros
arguidos, entre os quais José Manuel Espírito Santo e Francisco Machado
da Cruz.O Ministério Público acusou ainda o
ex-líder do BES de infidelidade, manipulação de mercado, sete crimes de
branqueamento de capitais e oito de falsificação.O
arguido José Manuel Espírito Santo Silva, antigo administrador do BES e
primo de Ricardo Salgado, está acusado de vários crimes de burla
qualificada, e infidelidade, em coautoria.O
ex-administrador e diretor financeiro do BES Amílcar Pires foi
igualmente acusado neste megaprocesso de um crime de associação
criminosa em coautoria com outros arguidos, corrupção passiva no setor
privado, burla qualificada, branqueamento de capitais, manipulação de
mercado, falsificação de documento e infidelidade.A
antiga administradora do BES Isabel Almeida foi também acusada por um
crime de associação criminosa, em coautoria, corrupção passiva no setor
privado, burla qualificada, branqueamento de capitais, manipulação de
mercado, falsificação de documento e infidelidade.São
ainda arguidos neste processo Manuel Espírito Santo Silva, Francisco
Machado da Cruz, António Soares, Alexandre Cadosch, Michel Creton,
Cláudia Boal Faria, Pedro Cohen Serra, Paulo Carrageta Ferreira, Pedro
de Almeida e Costa, Nuno Escudeiro e Paulo Nacif Jorge, entre outros.As
sete empresas acusadas são a Espírito Santo Internacional, Rioforte
Investments, Eurofin Private Investment, Espírito Santo irmãos –
Sociedade Gestora de Participações Sociais, ES Tourism Europe, Espírito
Santo Resources Limited e ES Resources (Portugal) por crimes que vão
desde burla qualificada a corrupção passiva, falsificação de documentos e
branqueamento de capitais.Numa súmula
divulgada na terça-feira pela Procuradoria Geral da República refere-se
que o processo principal BES/GES agrega 242 inquéritos, abrangendo
queixas de mais de 300 pessoas residentes em Portugal e no estrangeiro, e
que teve por objeto a investigação de dados patrimoniais de um conjunto
de empresas do grupo, incluindo unidades com licenças públicas para o
exercício de atividade bancária e de intermediação financeira.Na
nota é referido que, devido à dispersão territorial dos factos
investigados, foram excluídos os instrumentos de dívida e de capital da
ESFG, holding financeira de topo do grupo, com participações em várias
unidades bancárias, tendo sido extraídas certidões para que a
investigação prossiga, em inquéritos autónomos, para apurar infrações
tributárias e crimes relativos a titulares de cargo político
estrangeiros.Também foi extraída certidão
para investigação autónoma quanto a um cidadão estrangeiro (cuja
identidade não é revelada), tal como para o processo do aumento de
capital do BES, em junho de 2014.